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Locação de notebooks para home office dispara com expansão do coronavírus

Pandemia fez com quem companhias de outsourcing vivenciassem aumento superior a 500% na procura por equipamentos

23/03/2020 às 8h00

Foto: Unsplash/Olena Sergienko

A expansão do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, que encerrou a última sexta-feira (20) com 428 casos confirmados, fez com que governos de vários estados adotassem diversas medidas para mitigar a expansão da doença, já classificada como pandemia.  

Entre as iniciativas adotadas, está na indicação de trabalho remoto para todas as pessoas que possam realizar suas tarefas de casa. Para se ajustar a esse novo cenário, muitas organizações recorreram às empresas que realizam o empréstimo de equipamentos, que registraram aumentos consideráveis de demanda na última semana. 

Aumento na casa das centenas

A Agasus, que há mais de 20 anos atua no setor de locação de equipamentos para TI viu sua demanda saltar 300% entre os dias 17 e 19 de março. “O ritmo de trabalho aumentou e estamos nos desdobrando para atender demandas em todo o Brasil para locações de curto prazo, nicho de negócio em que nos diferenciamos há algum tempo. Sempre mantivemos um parque de ativos com alta disponibilidade para atendimento e entrega imediata”, afirma João Lima, CoCEO da Agasus. 

Fundada em 2001 e com especialização no outsourcing de equipamentos e soluções, a Simpress também é uma das empresas que precisaram gerenciar um aumento significativo de pedidos de empréstimo. De acordo com a empresa, apenas entre os dias 16 e 17 de março (quando as movimentações para home office se intensificaram), a empresa registrou um aumento de 500% na procura por eletrônicos. 

“Fechamos onze clientes com um total de 1000 notebooks e ainda fizemos propostas para mais 7 mil máquinas, em todo o Brasil. O nosso departamento comercial, que também está em home office, está a todo vapor”, explica Vittorio Danesi, CEO da Simpress. 

Empresa do mercado de ativos e seguros, o Grupo Generali é uma das empresas que optou pelo aluguel para suprir a demanda por máquinas portáteis. Para este período a companhia — que já usava os serviços da Simpress — aumentou em 50% o número de eletrônicos contratados. 

As empresas do ramo de empréstimos também precisaram realizar outras adaptações para o novo momento. A curitibana Positivo, que já oferecia essa solução de empréstimo pelo programa Positivo AS a Service, diminui o período mínimo de carência, que era de 36 meses, para atender ao aumento de pedidos que solicitavam contratos bem mais curtos.  

Durante a última semana, a divisão de empréstimos da fabricante recebeu pedidos de orçamentos de trinta a até mil máquinas por empresa. Ao flexibilizar os contratos de aluguel de notebooks, acreditamos estar contribuindo para viabilizar o trabalho remoto de muitas empresas que ainda não têm estrutura tecnológica para implementar home office à maioria dos colaboradores”, diz Rafael Campos, head da Positivo As a Service. 

Oportunidade para mudanças 

A empresa de pagamentos corporativos WEX viveu uma experiência diferente junto com o aluguel de notebooks. O uso do aparelho já era instituído em 85% da companhia, fazendo com que o número de aparelhos contratados, 30 laptops, não fosse muito grande. 

A principal diferença foi para o público que recebeu esses portáteis: colaboradores de setores como finanças e administrativos, cuja mobilidade não fazia parte da rotina desse público. Por conta disso, o time de TI precisou se reunir com os gerentes da área para entender quais rotinas de trabalho precisariam ser adaptadas por área.  

"Discutimos bastante os fluxos internos antes de levá-los aos gerentes", explicou André Martins, CIO e COO da WEX Brasil "Antes, havia um escritório funcionando e a situação atual é muito maior do que isso. Então a gente precisou pensar em questões como 'E e vier um motoboy para assinar um documento? Dá para ser digital ou precisa de um rodízio?'. Mesmo assim, precisamos reajustar muitos fluxos". 

Para Martins, um ponto benéfico que a situação pode proporcionar seria uma revisão maior sobre a prática de teletrabalho já prevista pela Lei (presente no capítulo II-A da Lei nº 13.467), "Hoje, as exigências são muitas e mais difíceis." 

O executivo complementa falando sobre a importância da cooperação que existiu por toda a empresa para fazer com que essa transição escritório-casa ocorresse de forma mais tranquila.  

"É um modelo novo para todo o mundo e o mundo inteiro está assim. Conversamos com nossos escritórios na Europa e Estados Unidos para saber as práticas adotadas e eles estão na mesma situação que a gente. Então foi muito importante ver todo o time comprando [esse novo sistema]."