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Como as operadoras podem ajudar com o repentino alto volume de banda causado pelo covid-19?

Covid-19 traz desafios para o setor de Telecom. De cadeias de fornecimento a maior demanda de banda para aqueles que trabalharão em casa

Antônio Júnior*

19/03/2020 às 15h00

Foto: Shutterstock

A pandemia pelo Covid-19 é uma crise sem precedentes com a qual o mundo terá que aprender a lidar de agora em diante. Governos, empresas e pessoas estão tendo que se adaptar e reagir às diárias incertezas do que essa contaminação traz. Na área de Telecom, o principal evento global da Indústria, o Mobile World Congress, foi cancelado e todas as demais feiras e congressos regionais também estão sendo postergados ou cancelados.

Para as empresas do setor de Telecom, o covid-19 já trouxe alguns desafios como as interrupções das fábricas e das cadeias de fornecimento de peças e equipamentos de conectividade vindos da China para abastecer o mercado mundial de celulares e de máquinas em geral que promovem a comunicação (aparelhos de redes de telecom). Por outro lado, haverá uma maior demanda por entretenimento em casa (streaming, vídeo etc) e por transmissão de dados para comunicação multimídia cada vez mais remota e isolada. Isso graças à paralisação de escolas, empresas e qualquer atividade econômica que promova o agrupamento de pessoas.

Isso sobrecarregará as redes. As crianças tentarão jogar ou transmitir o Netflix enquanto seus pais, tendo sido aconselhados a trabalhar em casa, estão tentando acessar uma reunião virtual. Mas não são apenas os serviços de entretenimento digital e o trabalho doméstico que afetam as redes. A mudança para canais digitais terá um impacto, por exemplo, os médicos estão aconselhando as pessoas a fazer consultas por vídeo. Agora, imagine a tensão nas pequenas cidades do interior que têm um grande número de pessoas tentando acessar uma infinidade de conteúdos e serviços digitais, tudo ao mesmo tempo. Está sendo e continuará a ser por um período indeterminado, um imenso desafio lidar com esse imediato e abrupto aumento de consumo de banda para operadoras e prestadores de serviços de Telco e Comunicação.

Quais medidas as operadoras estão adotando para lidar com esse fenômeno repentino? Primeiro, elas precisam permitir que seus clientes tenham priorização de capacidade ou dispositivos. Você não pode ter um cliente lutando para fazer seu trabalho ou acessar um serviço médico on-line enquanto seus filhos assistem à Paw Patrol pela centésima vez. Além disso, como as organizações podem fazer mais para garantir que seus funcionários tenham melhor acesso à banda larga de alta velocidade em casa? Muitas organizações estão buscando fazer acordos com as operadoras para que suas equipes tenham acesso a serviços móveis. Por que não estender isso para casa?

Com total restrição de viagens aéreas, como as operadoras podem ajudar as empresas com suas necessidades de comunicação e teleconferência digital em seus escritórios? Como as operadoras podem trabalhar com escolas e pais para que os professores possam continuar ensinando remotamente?

Vejo que a principal resposta às operadoras é a priorização de tráfego. As operadoras precisarão aplicar políticas diferentes com base no tráfego, permitindo a priorização de diferentes tipos de tráfego de distintas fontes. Por exemplo, os socorristas e a comunidade médica/hospitalar e órgãos de informação precisam ter acesso à rede e à largura de banda necessários para manter os canais de comunicação o mais nítidos nesse momento. As operadoras em seus países de atuação devem desenhar seus planos de continuidade de negócios com base nas estratégias de prioridade, alinhadas aos governos locais e aos órgãos locais e mundiais de saúde (OMS, Centers for Disease Control and Prevention (CDC), World Health Organization (WHO) etc.

As operadoras que já estavam promovendo a Transformação Digital e construindo sua infraestrutura preparada para a tecnologia 5G e para o alto volume de banda demandado pelo 5G, IoT e outras tecnologias, levam grande vantagem nessa hora. Nesse sentido, fica aqui a mensagem: é preciso estar preparado para eventos não-programados, incidentes e desastres naturais. Porque hoje é o covid-19 e amanhã o que será?

*Antônio Júnior, vp de Vendas e Mkt da Openet