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5G no Brasil: como a Huawei está posicionada dentro desse mercado?

Enquanto operadoras querem inclusão da fabricante chinesa como fornecedora, alas do governo acreditam que adesão pode prejudicar acordos com os EUA

Da Redação

20/02/2020 às 13h00

Foto: Reprodução

Com o edital de licitação do 5G encaminhado, o Brasil começa a ficar no radar de uma das grandes discussões internacionais quando se fala da implementação da tecnologia: a participação da Huawei dentro desse processo. 

Atualmente, a fabricante chinesa é a principal fornecedora de infraestrutura de telecomunicação. Mas, o governo dos EUA vem realizando uma forte pressão com países aliados para que não usem as soluções da marca. Alegando, dentre outras coisas, que ela atua como espiã para o governo de Xi Jinping. 

A última decisão relacionada a essa história ocorreu após o Reino Unido autorizar a participação da empresa, mas apenas para a inclusão de infraestrutura que não se comunicasse diretamente com a rede de telefonia e troca de informações. 

No Brasil, esse tema ainda está em debate. Alexandre de Morais, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), informou em entrevista à agência Reuters que todos os cuidados relacionados com a segurança cibernética para o 5G estão serão discutidos e estipulados pela equipe do general Augusto Heleno, que comanda o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR)

Segundo Morais, essa decisão precisa ser tomada pelo gabinete pois afetam outros setores além do de telefonia, como indústria e agricultura. Nesse momento, a prioridade da agência está na definição das operadoras que trabalharão para implementar as frequências reservadas para a tecnologia, e não no hardware que será utilizado. 

Sem consenso 

Apesar de o tema não ter uma definição, já existem vozes aliadas e contrárias à participação da Huawei na construção do 5G brasileiro. Em entrevista ao jornal O Globo, Eduardo Bolsonaro afirmou que a inclusão da empresa pode afetar a confiança do governo dos Estados Unidos no Brasil, devido às alegações de espionagem feitas pelo governo americano. 

Já o vice-presidente Hamilton Mourão, afirmou no ano passado que não havia motivos para interromper a participação da empresa no Brasil. Em agosto do ano passado, a companhia anunciou que injetaria US$ 800 milhões para a construção de uma fábrica focada em smartphones. 

Saindo da esfera política, as operadoras também se mostram favoráveis à participação da marca, em conjunto com as rivais Nokia e Ericsson, alegando que será possível garantir melhor qualidade para a rede 5G. 

Procurada pela Reuters, a Huawei afirmou que “continua acompanhando as discussões sobre a implementação da rede 5G no Brasil”.