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Para reconquistar confiança de usuários, Mark Zuckerberg pede por regulação

Em editorial assinado ao Financial Times, Zuckerberg defende regras sobre conteúdos nocivos, privacidade, eleições e portabilidade de dados

Da Redação

17/02/2020 às 16h00

Foto: Shutterstock

Se em um passado recente, o Facebook se posicionava contra qualquer regulação de seu negócio - afinal, uma forte regulação poderia minar o modelo de negócios de publicidade orientado por dados -, atualmente, a rede social parece pensar diferente. Em um editorial assinado para o Financial Times, Mark Zuckerberg, CEO da companhia, defendeu que uma regulação por parte de autoridades externas seria "melhor para todos". As informações são da Bloomberg.

"Se nós não criarmos padrões para as pessoas se sentirem legitimamente seguras, elas não confiarão nas instituições ou na tecnologia", escreveu Zuckerberg não sem endereçar os reflexos da regulação aos negócios da rede social. "Acredito que uma boa regulação pode machucar os negócios do Facebook no curto prazo, mas será melhor para todos, incluindo para nós, no longo prazo".

Desde o escândalo envolvendo o uso de dados de milhões de usuários do Facebook para fins de manipulação política, orquestrada pela consultoria Cambridge Analytica (que custou uma multa de US$ 5 bilhões nos EUA ao Facebook), o Facebook tem tentado reconquistar a confiança dos usuários mundo afora. Ao mesmo tempo, o mau uso de dados tem alimentado debates acerca da privacidade a exemplo de legislações como a europeia GDPR (General Data Protection Rule) e a brasileira Lei Geral de Proteção de Dados. Muitas das discussões jogam luz sobre o poder que grandes empresas de tecnologia concentram.

O que Zuckerberg propõe?

No editorial assinado no Financial Times, o CEO do Facebook propõe regulamentar quatro áreas:

  • Eleições;
  • Conteúdo nocivo;
  • Privacidade;
  • Portabilidade de dados.

Entretanto, Zuckerberg pediu equilíbrio das autoridades. "Nós temos que balancear a promoção da inovação e a pesquisa com a proteção da privacidade das pessoas e a segurança", escreveu indicando que, se excessiva, a regulação poderia prejudicar negócios digitais. "Sem regras claras sobre portabilidade, leis de privacidade estritas encorajam companhias a trancarem os dados, se negando a compartilhar com outros, para minimizar riscos regulatórios".

O executivo também colocou mais peso sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia. "As pessoas precisam sentir que as plataformas globais de tecnologia respondem a alguém", afirmou. Mas deixou claro que o Facebook poderá ainda questionar decisões. "É claro, nós não concordaremos com todas as propostas".

O editorial assinado por Zuckerberg coincide com sua visita a Bruxelas, capital da União Europeia. Lá, ele se reúne com a comissária Margrethe Vestager e outras autoridades. Para além de leis que orientam o uso de dados, o bloco europeu tem endereçado regras para regular negócios digitais acerca do uso responsável da inteligência artificial. Vale ressaltar também que os 130 países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também se reúnem para tentar definir padrões globais para taxar os negócios digitais.