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Governo norte-americano afirma que Huawei tem acesso secreto de redes de telefonia

De acordo com reportagem do Wall Street Journal, companhia utiliza um sistema de acesso criado apenas para uso de forças policiais

Da Redação

12/02/2020 às 11h16

Foto: Reprodução

Oficiais do governo americano afirmam que a companhia chinesa Huawei consegue acessar redes de todas as partes do mundo por meio de um sistema (back door) desenvolvido para uso único de forças policiais.  

Quando uma empresa constrói estruturas de telefonia, ela precisa por lei criar um acesso alternativo para que autoridades consigam entrar na rede para executar ações como quebra de sigilo telefônico.

De acordo com profissionais americanos, a companhia chinesa teria construído um sistema que fornece o mesmo acesso privilegiado do que as autoridades, sem que as operadoras de telefonia conseguissem detectar esse uso. 

O governo americano ainda reforçou que a fabricante teria esse tipo de acesso há mais de dez anos. A Huawei nega as acusações. 

Segundo reportagem do Wall Street Journal, as agências de inteligência dos EUA mantiveram essa informação guardada até ano passado. Quando, em um esforço para impedir que a empresa participasse da construção de infraestruturas 5G ao redor do mundo, começou a compartilhar o dado com países como Alemanha e Reino Unido. 

 "Temos evidência de que a Huawei tem a habilidade secreta de acessar conteúdo sensível e informações pessoais de sistemas que ela mantem e vende ao redor do mundo", afirmou Robert O'Brien, conselheiro de segurança nacional dos EUA. 

Apesar de não explicar com mais detalhes como a Huawei consegue esse acesso secreto, mas divulgou que identificou a prática ainda no ano de 2009, quando o 4G começava a se expandir ao redor do mundo. O governo do país afirmou que nenhuma outra empresa de telefonia executa a mesma prática. 

A notícia saiu semanas após o Reino Unido aprovar, com restrições, a inclusão da Huawei como fornecedora de infraestrutura do 5G. Oficiais do governo britânico consultados pelo Wall Street Journal afirmam que o país estava ciente da informação dada pelo governo americano e a levou em conta para efetuar a permissão.  

O caso chega para aumentar a hostilidade entre os EUA e a Huawei: desde o final de 2018, quando o governo americano acusou a empresa de espionagem, os Estados Unidos vêm repetidamente afirmando que a empresa atua como espiã para o governo chinês, chegando até a impedir que ela realize negócios dentro do seu território ou com empresas sediadas no país. A fabricante, em contrapartida, nega todas as acusações.