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Com agência de fachada, EUA tiveram acesso a mensagens criptografadas de 120 países, diz WSJ

CIA e agência de inteligência alemã estariam por trás da empresa de segurança Crypto AG, que oferecia serviços de critpografia para governos

Da Redação

12/02/2020 às 14h00

Foto: Shutterstock

Uma extensa reportagem do Wall Street Journal revelou os detalhes de uma longa jornada de espionagem orquestrada pela Agência de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA, e a agência de inteligência da Alemanha Ocidental. Segundo o jornal, as duas estavam por trás da empresa suíça Crypto AG, especializada em segurança da informação.

A Crypto AG, por mais de meio século, foi a empresa que governos do mundo todo confiaram para manter suas comunicações longe de espiões. A companhia construía dispositivos que, supostamente, garantiriam a cripotografia das informações.

De acordo com o Journal, a empresa suíça fez milhões de dólares vendendo equipamentos para mais de 120 países, muitos desses, inclusive, rivais. Até mesmo o Vaticano era cliente da Crypto AG. O Brasil era um dos clientes, assim como outros países da América Latina. Entretanto, o que não se sabia era que, secretamente, a CIA e agência de inteligência alemã fraudavam os dispositivos para quebrar os códigos usados para criptografar as mensagens. Segundo o WSJ, essa parceria de espionagem retomaria os tempos da Segunda Guerra Mundial.

"Foi o golpe de inteligência do século", destaca o WSJ. "Governos estrangeiros estavam pagando uma boa quantia de dinheiro para os Estados Unidos e a Alemanha Ocidental terem suas comunicações mais secretas lidas por (pelo menos e possivelmente cinco ou seis ) países estrangeiros".

A extensão da espionagem tinha porém, suas limitações. A China e a Rússia, por exemplo, não eram clientes da Crypto.

Nos anos 1990, a Alemanha Ocidental retirou sua participação na Crypto, deixando a exclusividade das informações sob a tuteta dos Estados Unidos. A CIA continuou controlando a Crypto até 2018, quando vendeu os ativos da empresa, informa o Journal.

Se em 2013, o ex-agente secreto da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), Edward Snowden, revelava o sistema de viligância por trás da agência, a operação da Cryto só vem para reforçar o alcance e a obssessão dos EUA pela vigilância global.