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Em movimento inédito, Google abre resultados financeiros de YouTube e Cloud

Números indicam a importância das divisões para companhia; novidade, porém, não apagou resultados aquém do esperado

Da Redação

04/02/2020 às 8h00

Foto: Shutterstock

Última das grandes techs a apresentar o balanço financeiro correspondente ao quarto trimestre de 2019, a divulgação da Alphabet/Google trouxe surpresas boas e outras não tão convidativas assim para o mercado.  

Começando pelas notícias menos animadoras: a companhia não conseguiu superar as estimativas de receita definidas pelo mercado, encerrando 2019 com um faturamento de US$ 46,1 bilhões entre outubro e dezembro, sendo que expectativa das empresas de análise estava em US$ 46,9 bilhões. Lembrando que o resultado acontece dentro de um período com datas nas quais as empresas investem pesadamente em publicidade digital. 

Apesar de a receita atual apresentar crescimento de 17,3%, a taxa foi a menor apresentada desde 2015, como pontuou a Reuters. Por conta do constante receio de que o negócio de anúncios (principal fonte de renda da empresa) entre em um declínio expressivo, os resultados não agradaram e a empresa fechou a segunda com queda de 4,5% nas ações e fora do clube das marcas avaliadas em mais de US$ 1 trilhão. 

Para fechar os números gerais, vale comentar que a companhia terminou o período com lucro para os acionistas: o preço por ação (EPS, na sigla em inglês), ficou em US$ 15,35, bem acima dos US$ 12,53 estimados pela consultoria Refinitiv. No total do ano, o lucro foi de US$ 34,3 bilhões. Ou seja: pelo menos no momento presente, ninguém ficou no prejuízo.

Agora indo para as divulgações mais interessantes: o documento atual foi o primeiro no qual a empresa apresentou o desempenho de receitas de YouTube e Google Cloud, produtos de destaque do conglomerado. Abaixo, apresentamos com mais detalhes a performance de cada divisão. 

Dando forma à nuvem

Passando pelo balanço geral da empresa, vamos aos resultados em separado de cada divisão, divulgados pela primeira vez. Começando pela vertical de nuvem (que abrange tanto a infraestrutura do Google Cloud como os produtos GSuite, como GMail, Docs, Drive etc), a companhia fechou o trimestre com US$ 2,61 bilhões de receita, com um run rate (projeção com base no resultado atual) acima dos US$ 10 bilhões para este ano.  

Como, no balanço de 2018, a empresa havia levantado no mesmo período a receita de US$ 1,71 bilhões, que geraria uma projeção de US$ 6,84 bilhões, percebe-se que essa divisão ultrapassou os 53% de crescimento dentro do espaço de um ano. 

Apesar do aumento significativo, vale praticar o exercício da comparação para entender como a empresa de Mountain View está posicionada entre as principais concorrentes. Começando pela líder Amazon (por meio da AWS), a companhia faturou US$ 9,9 bilhões no último trimestre, quase que o total levantado pela divisão de cloud da Google e crescendo a um ritmo acima dos 30% ano-a-ano. 

Já a Microsoft (segunda colocada e empresa a ser ultrapassada), atua de forma similar que a Alphabet e divulga a receita da sua plataforma de nuvem Azure junto com outras soluções, como o Office365. Mesmo com esse “balaio”, os resultados também chamam a atenção: entre outubro e dezembro, a empresa gerou US$ 11,9 bilhões, expandindo sua receita em um percentual de 62% ao ano. 

Apesar da vantagem da concorrência, o Google está apostando forte nesse segmento e realizando investimentos para acelerar seu progresso. Um exemplo está nas contratações de nomes proeminentes no setor para tocar a operação. Como o atual CEO Thomas Kurian (ex-Oracle), e Javier Soltero, que comandava a divisão da Cortana para Microsoft, como responsável pelo G Suite. 

Player desanimou

Além dos números da sua cloud, a companhia também apresentou a receita gerada pelo YouTube. Que ficou devendo: fechou em US$ 4,7 bilhões para o trimestre e US$ 15,1 bilhões para o ano. Apesar do crescimento de 35%, o faturamento anual ficou bem atrás dos “palpites” efetuados por empresas financeiras. O Morgan Stanley, por exemplo, estimava uma receita de US$ 22 bilhões. 

Não que o resultado seja pequeno (é maior do que o valor combinado de publicidade recebido por canais como Fox, NBC e ABC) mas, dado à audiência de mais de 2 bilhões de usuários mensais, esperava-se um número mais próximo - ou acima – do entregue. 

Durante a conferência com investidores, o CEO Sundar Pichai afirmou que o YouTube contava com 20 milhões de assinantes quando se reuniam os serviços Music (antigo Google Play Música) e o Premium, sem anúncios.  

O número mostra como a companhia está atrás nesse mercado, quando se compara concorrentes como a Amazon (55 milhões de assinantes), Apple (60 milhões) e Spotify (113 milhões de assinantes pagos). 

Além das lutas competitivas, a divisão comandada por Susan Wojcicki também precisa lidar com questões como controle de discurso de ódio e transmissão de notícias falsas dentro da plataforma. “Desafiador” é um adjetivo que cabe usar para a perspectiva do YouTube sobre o ano de 2020. 

Mesmo com o longo caminho que os dois negócios têm percorrer, a visão da liderança é de absoluto otimismo. Durante conversa com acionistas, Pichai salientou que enxerga potencial de crescimento para os dois negócios. 

A receita para a divisão “Outras Apostas”, que inclui projetos como o serviço de carros autônomos Waymo e a healthtech Verily, chegou a US$ 172 milhões (contra US$ 154 milhões em 2018), mas as perdas alcançaram US$ 1,8 bilhão, o maior número já registrado. 

*Com informações: Alphabet e TechCrunch