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Celular de Jeff Bezos foi hackeado por príncipe da Arábia Saudita, diz jornal

De acordo com o The Guardian, executivo recebeu via WhatsApp mensagem com arquivo infiltrado, que teria coletado informações utilizadas para chantagem

Da Redação

22/01/2020 às 12h02

Foto: Shutterstock

Homem mais rico do mundo e fundador da Amazon, Jeff Bezos teve seu celular hackeado em 2018 após receber uma mensagem enviada via WhastApp por Mohammed bin Salman, príncipe e herdeiro do trono da Arábia Saudita. A notícia foi divulgada na terça (21) em reportagem produzida jornal britânico The Guardian, que teria conversando com fontes familiarizadas com a investigação. 

De acordo com a publicação, o príncipe e o executivo mantinham uma relação amigável por conta da influência do país árabe dentro dos negócios de tecnologia (o fundo soberano da Arábia Saudita investe em diversos fundos e startups da área), sendo que Bezos e bin Salman trocavam mensagens por meio da plataforma de conversas. 

Em maio de 2018, Bezos teria recebido uma mensagem diretamente do telefone do príncipe que continha um arquivo (como foto, áudio ou vídeo) com um sistema espião, responsável por extrair diversos dados do dispositivo do bilionário. 

Chantagem e descoberta 

De acordo com o Guardian, o arquivo espião foi encontrado no smartphone do CEO no final de 2018, quando David Pecker, dono do tabloide National Inquirer, procurou o executivo para informar que tinha acesso a mensagens íntimas trocadas com a apresentadora Lauren Sanchez na época em que Bezos ainda era casado com sua agora ex-esposa Mackenzie. 

Apesar de o jornal declarar que conseguiu os dados diretamente do irmão de Sanchez, Bezos disponibilizou seu smartphone para análise de especialistas, que conseguiram rastrear o sistema espião e conectá-lo com a mensagem enviada pelo príncipe saudita. 

Além do negócio de vendas on-line, o empresário também é dono do jornal americano Washington Post. O palpite de especialistas é que, a ter acesso a informações pessoais do empresário, o governo árabe poderia moldar a cobertura feita pelo veículo sobre os acontecimentos do país. Meses antes do escândalo da National Inquirer, o Guardian ouviu de fontes que o príncipe bin Salman e Pecker haviam desenvolvimento maior proximidade.      

Governo saudita na berlinda 

O sentimento de desconfiança que o mercado possui a respeito da Arábia Saudita só se intensificou após a notícia. Desde o assasinato mal-explicade do jornalista Jamal Khashoggi na embaixada americana localizada no país árabe, o comportamento da nação está sendo vigiado de perto pelo grande público. 

Após a notícia, a situação de MBS no exterior ficou bem delicada, o que muito provavelmente irá dificultar seu plano de obter mais financiamento externo para projetos dentro do seu país de origem.  

Em contrapartida, o próprio governo americano (e o cenário de tecnologia em geral) também se coloca dentro de um certo dilema, pois a Arábia Saudita é um dos principais investidores do mercado — o país foi responsável por injetar quase metade dos US$ 100 bilhões utilizados pelo SoftBank para o lançamento do seu Vision Fund

Até o fechamento dessa matéria, tanto Jeff Bezos como a AMI (holding dona do National Enquirer e propriedade de Pecker) não havia se pronunciado sobre o caso. 

Apesar de nenhum comentário direto do príncipe, o perfil da embaixada da Arábia Saudita nos EUA publicou um tweet afirmando que a suspeita envolvendo MBS (como o próprio Mohammad bin Salman gosta de ser chamado) são "absurdas". 

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