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Edge Computing: computação de borda vai transformar a experiência digital

Soluções baseadas em arquitetura edge computing surgem para atender a demanda crescente por alta performance

Rodrigo Shimizu*

06/01/2020 às 17h00

Foto: Shutterstock

A evolução da tecnologia computacional passa por tecnologias orientadas à centralização e descentralização. Entre 1950 e 1970, a tecnologia de mainframe era dominante, mas em função do alto custo de manutenção e da infraestrutura aplicada de grande porte nas empresas, uma nova era da tecnologia computacional surge – cliente-server – particionando essa capacidade em máquina menores.

A partir de 2000, vimos o crescimento do cloud computing, um novo movimento de centralização da capacidade computacional pelos grandes representantes globais trazendo ganhos de escala e permitindo um modelo como serviço, flexível e escalável para os clientes.

Logo, com cada vez mais demanda por alta performance no processamento das informações, as soluções baseadas em arquitetura edge computing surgem para atender lacunas que as soluções de cloud não conseguem suprir, como a otimização nas taxas de transferências e nos tempos de respostas das aplicações em milissegundos.

A redução significativa da latência que a edge proporciona vai de encontro à demanda por processamento em tempo real que as soluções de internet das coisas (IoT) e realidade virtual exigem, por exemplo. Na prática, e na tradução, trata-se de uma computação mais próxima da borda com o objetivo de reduzir o tempo resposta entre aplicação e servidor.

Em outra frente, a edge computing gera economia ao contratante e a possibilidade de receita para as operadoras. Como infraestrutura como serviço, a cloud tradicional possui modelo de negócio que cobra pela quantidade de dados armazenados, padrão que segue aderente à necessidade de muitas companhias. Com a arquitetura edge, o cliente passa a filtrar as informações que precisam consumir a nuvem, enquanto as empresas podem descentralizar o poder computacional com a distribuição na borda da rede, o que resulta respectivamente na otimização de recursos para quem contrata e a oportunidade de novos ganhos com aplicações e serviços para quem oferta.

Na ponta, para tangibilizar os benefícios a sociedade, as empresas que farão uso da edge computing em futuro próximo com a chegada do 5G poderão levar entretenimento, educação, saúde, segurança, produção agrícola e industrial para as metrópoles, campo e até a locais remotos através de comunicações confiáveis de baixa latência.

Combinado à computação de borda, a possibilidade do surgimento de novas tecnologias se amplia exponencialmente. Relatório '5G at the Edge', publicado pela 5G Americas, para tratar da evolução da nova geração de telefonia móvel, vê essa relação como crucial para as aplicações. Aterrissando nesse horizonte, deixará de ser futurista ver um jovem jogando games online com óculos de realidade de virtual em um carro autônomo em movimento.

A baixa latência e o processamento na borda também estarão cada vez mais presentes no mundo dos games, reduzindo lags, e, através de inteligência artificial e machine learning, a arquitetura de edge computing nas redes 5G irá aprimorar as questões de segurança e resposta na orientação do veículo.

Rao Yallapragada, um dos líderes do grupo de trabalho que produziu o relatório da 5G Americas, explica o que antecede esse cenário: “estamos criando uma nova arquitetura baseada em tecnologias centradas em dados, como análises, redes e armazenamento para sistemas 5G, que operam com a edge computing, que terá um grande impacto sobre a operação de redes sem fio no futuro".

O potencial da tecnologia ainda toma maior amplitude quando se projeta o uso nas iniciativas da internet das coisas. Indo além do carro autônomo, a edge computing traz uma melhor experiência computacional e beneficia verticais de negócio como o varejo, com sensores nas lojas para criar interações mais atraentes com os clientes; na indústria 4.0, possibilita monitorar e controlar linhas de produção em tempo real com servidores mais próximos e capacidade de gestão descentralizada em micro data centers; nas cidades inteligentes, como na área da saúde, por exemplo, onde a infraestrutura tem que estar dedicada – e não compartilhada – por questão de compliance, a edge será o modelo ideal pois dá a capacidade da nuvem, com baixa latência e atende todos os requisitos de performance.

Segundo estudos do Gartner, a expectativa é que até 2025, 75% do total de dados criados pelas empresas serão gerenciados por sistemas dessa arquitetura. Desde agora, cabe as empresas entender as barreiras e os caminhos para entregar uma melhor experiência em computação de borda.

*Rodrigo Shimizu é diretor de Marketing da Oi Soluções