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O WhatsApp colocará um fim aos aplicativos como conhecemos?

Com ampliação das vocações dos principais mensageiros, tudo que está dentro dessas plataformar deve migrar para um modelo conhecido como superapp

Por Marcos Abellón*

19/12/2019 às 19h00

Foto: Shutterstock

Já há algum tempo eu tenho refletido: será que o WhatsApp vai acabar com os aplicativos móveis? A questão do WhatsApp (e também outras plataformas conversacionais como o Telegram e Messenger do Facebook) absorverem outros aplicativos é um conceito disruptivo.

Pense no trabalho para quem consome um aplicativo: É preciso fazer o download e criar uma conta, aprender a utilizá-lo e encontrar dentro dele o que se precisa. Já do outro lado, para quem o disponibiliza, há um grande investimento na criação de versões para diferentes plataformas - e quando há uma nova versão de software é necessário rever tudo. Um trabalho contínuo que nem todas as empresas têm condições de arcar.

Um levantamento realizado pela Nielsen descobriu que 70% de todo o tráfego é realizado em apenas 200 aplicativos. Frustrante para quem gastou tempo e dinheiro com desenvolvimento e campanhas de marketing para incentivar o uso.

O WhatsApp tem no Brasil 120 milhões de usuários ativos mensalmente, segundo o relatório Global Messaging Apps 2019. Ele entra em cena para quebrar barreiras e paradigmas, encontrando o consumidor onde já está e se sente confortável. Acabam os downloads, o consumo excessivo de bateria e também a eterna briga em liberar memória.

É ir muito além do que já é feito hoje dentro do WhatsApp Business por mais de 5 milhões de empresas em todo o mundo (segundo dados do Facebook), como um perfil profissional que possibilita atendimento ao cliente, realização de pesquisas de satisfação e envio de promoções, por exemplo.

O próprio WhatsApp já se deu conta do seu potencial e está colocando em prática projetos para fazer muito mais dentro da sua plataforma. Um deles é a possibilidade de mostrar produtos por meio de um recurso de catálogos. Em cada item inserido é possível acrescentar preço, descrição e código, por exemplo. Os produtos e serviços são então compartilhados com os clientes, unificando informações que facilitam a compra. E, em paralelo a essas iniciativas, algumas desenvolvedoras, inclusive brasileiras, também propõem utilizações até mais inovadoras que a da 'oficial'.

Alguns exemplos são a integração de sistemas como CRM, ERP e de Logística, disponibilizando no WhatsApp informações importantes para a tomada de decisão. Isso sem dizer da atuação fora do âmbito comercial, com o treinamento e aplicação de provas a distância.

E o WhatsApp não é o único serviço interessado em englobar cada vez mais funções e diminuam a função dos aplicativos. O Apple Business Chat é testado no Brasil por empresas como a sorveteria Bacio di Latte e a locadora de veículos Localiza Hertz. Na prática, nele é possível resolver dúvidas de clientes e até realizar vendas ao ser integrado ao Apple Pay do cliente.

Interessante, não é mesmo? Mas nada se compara ao que já é prática na China. O WeChat é uma rede social que faz - literalmente - de tudo e transformou a vida de quem mora por lá. Com mais de 1 bilhão de usuários se resolve muitas questões cotidianas rapidamente: pedir comida, reservar passagens aéreas e viagens, chamar um táxi, pagar por produtos e serviços, ver postagens feitas por amigos e conhecer um novo crush.

Já parou para pensar em quantos aplicativos é possível ‘economizar’ e o quanto é possível facilitar a vida do usuário? Bom, cada vez mais começo a acreditar que, com todas as iniciativas brasileiras e internacionais os aplicativos caminham para um ponto que pode levar à sua extinção.

Tudo que hoje está dentro dessas plataformas vai migrar para um modelo similar ao utilizado ao WeChat. Sua empresa poderá ser impactada em um futuro não muito distante. O que você fará para se adaptar a este destino?

*Marcos Abellón é diretor geral da W5 Solutions e criador do hub AnnA que conecta pessoas a sistemas por meio do WhatsApp, Messenger e Telegram