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Transações com cartões devem movimentar R$ 2,3 trilhões em 2020, diz Mastercard

Companhia aposta na popularização dos cartões por aproximação com implantação de sistema de pagamento em transporte público

Carla Matsu

16/12/2019 às 9h00

Foto: Shutterstock

A Mastercard tem apostado alto em um mundo onde as coisas serão pagas apenas por aproximação. Claro, não é de hoje que etiquetas NFC (sigla para Near Field Communication) habilitam nosso comodismo para destravar pagamentos sejam por smartphones, smartwatches e, mais recentemente, cartões de crédito e débito. Há todo um ecossistema por trás dessa facilidade que tem se construído nos últimos anos por competidores e parceiros da gigante de cartões.

Segundo João Pedro Paro Neto, Presidente da Mastercard Brasil, só no mês de novembro foram realizadas cerca de 13 milhões de transações do tipo contactless. Para colocar as coisas em perspectiva, em janeiro deste ano, a mesma Mastercard contabilizava 1,4 milhão de transações por aproximação. O executivo avalia os números de forma positiva: "as coisas já mudaram de patamar", destacou Paro Neto em encontro recente com jornalistas. A expectativa é terminar o ano com cerca de 90 milhões de transações realizadas.

O grande desafio das operadoras é popularizar a tecnologia e sua aceitação. Algo que tem sido resolvido, em parte, por meio de serviços cotidianos básicos, que vão de pagamentos em postos de gasolina a restaurantes por meio de maquininhas.

Mas nada diz mais cotidiano e popular do que o transporte público. Desde setembro deste ano, usuários de 12 linhas de ônibus da cidade de São Paulo já podem pagar a passagem do transporte com cartões de crédito, débito e pré-pagos da Mastercard e também Visa habilitados com a tecnologia por aproximação.

As duas companhias devem ampliar o projeto para outras cidades brasileiras em 2020. O sistema de pagamento já é adotado em escala em outras capitais do mundo, caso de Nova York, Londres e Sidney. No Rio de Janeiro, a Mastercard levou a tecnologia para o sistema de pagamento de trens na cidade. "É um potencial enorme para a indústria e teremos um grande avanço para o próximo ano", pontuou Paro Neto.

Vale lembrar que no Brasil, a tecnologia permite que os pagamentos de até 50 reais sejam liberados sem a necessidade de senha. Acima desse valor, a transação precisará ser autenticada. Outro ponto a favor da Mastercard para a popularização dos cartões NFC é que todos os novos cartões emitidos com a bandeira da companhia são entregues com a tecnologia. Há, dessa forma, uma renovação natural do sistema de pagamentos. A expectativa é que, em cinco anos, toda a base de clientes que possuem cartão possa fazer pagamentos por aproximação.

No comparativo entre o segundo semestre de 2018 e o primeiro de 2019, as transações por aproximação cresceram 226%. Outro número que reforça o crescimento do meio de pagamento diz respeito à geografia de sua atuação. Segundo a Mastercard, mais de 4900 cidades brasileiras já realizaram transações por aproximação.

"A tecnologia muda o comportamento das pessoas. E você muda isso com o pagamento por aproximação. Pode ser uma economia de segundos que se tem, mas certamente, proporcionamos uma experiência melhor para o consumidor", complementou Paulo Frossard, VP de desenvolvimento de negócios da Mastercard Brasil e Cone Sul.

Na avaliação de Paro Neto, o mercado de cartões de crédito tem despontado à frente do de débito. De forma geral, a Mastercard aposta que o mercado de cartões tenha um crescimento de 24% no volume transacionado em 2020, para R$ 2,3 trilhões movimentados.

Ainda de acordo com a companhia, a participação dos pagamentos eletrônicos no consumo das famílias (PCE), deve encerrar o ano em torno de 44%. Seguindo esse ritmo, a Mastercard defende que o uso de meios eletrônicos de pagamento deve alcançar, no futuro, uma participação de 60% no consumo das famílias no País.