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Upgrade na Fórmula 1: usando tecnologia para aumentar emoção nas corridas

Em parceria com a AWS, modalidade vai modificar o design dos veículos para aumentar competitividade durante os GPs; estreia programada para 2021

Mônica Wanderley *

05/12/2019 às 20h00

Foto: AWS

Uma das poucas modalidades esportivas que conseguiram espaço dentro de um Brasil apaixonado por futebol, a Fórmula 1 recebeu durante os últimos anos queixas de seus fãs devido à falta de competitividade durante as corridas dos Grand Prix: em geral, os pilotos vencedores eram os que tinham os melhores carros, do ponto de vista técnico, e os carros que começavam próximos à pole pontuavam após a última volta.

Pensando em trazer mais emoção às provas, a equipe de Formula One Group (organização responsável pela F1 e outras competições automobilísticas) desenvolveu alternativas para dar mais espaço ao talento de seus atletas e mais “rallies” dentro dos circuitos. E a tecnologia tem papel inicial em uma das iniciativas mais ousadas da organização: modificar o design dos veículos.

Durante a re:Invent, conferência anual da AWS, a Formula One Group apresentou o conceito do novo veículo, cuja estreia nas pistas está programada para acontecer em 2021, no GP da Austrália:

A parte digital acontece no processo de desenvolvimento do automóvel, realizado por meio de uma tecnologia conhecida como Dinâmica Computacional Fluída (CFD, em inglês). Ao utilizar machine learning e computadores de alta capacidade de processamento, o sistema analisou milhões de data points gerados pelos sensores dos carros durante as corridas para realizar predições para entender o melhor novo design para a corrida.

Inovação de fábrica

Rob Smedley, consultor técnico para a Fórmula 1, explicou o processo de produção do nov modelo durante evento para jornalistas.

De acordo com o engenheiro, uma das principais dificuldades para que existam mais ultrapassagens durante a competição atende pelo nome de wake effect, que de forma geral é a influência que um veículo que está atrás recebe pelo da frente.

Segundo as contas realizadas por Smedley e equipe, um carro atingido pelo wake effect perde cerca de 40% da sustentação negativa, efeito que ajuda a dar estabilidade e força para ganhar velocidade nas curvas — em geral, são os momentos nos quais as ultrapassagens acontecem.

Para desenhar um carro capaz de reduzir ao máximo esse percentual de perda, a ‘Formula One’ utilizou as plataformas de nuvem e machine learning da AWS para realizar simulações de Computação Dinâmica Fluida com nível extremo de realismo e, assim, ter o melhor veículo possível.

Um dos principais impactos dessa parceria, segundo Smedley, foi na agilidade ganhada para as simulações: antes, a equipe levava cerca de 60 horas para executar um teste. Agora o tempo foi reduzido para 18 horas. “Com a AWS, conseguimos desenvolver dentro de um ambiente mais ágil.”

O próximo passo, agora, é continuar as conversas com as equipes da F1 para iniciar a etapa de produção. “Pode ser que a gente até tenha uma sustentação negativa menos eficiente [por conta dos ajustes com os times], mas com certeza ainda será menor do que o nível de agora.”

Mas com adrenalina

Ao analisar a proposta do novo carro, a pergunta que surge é: “trazer uma certa padronização geral para os veículos não irá trocar um problema por outro?” Smedley reforça que esse não será o caso: “posso garantir que os fãs terão uma experiência muito mais imersiva com essa novidade.”

Durante o bate-papo, o engenheiro relembrou da engenhosidade das equipes de cada escudeira, que sempre procuram “brechas” para explorar funcionalidades, e também da habilidade de quem está na pista “acreditamos que, com essas mudanças, o talento dos pilotos ficará ainda mais em evidência.”

*Jornalista viajou para Las Vegas (NV) a convite da AWS

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