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‘Economia Salesforce’ busca gerar 491 mil empregos diretos no Brasil até 2024

Presidente da Salesforce Brasil, Fabio Costa avalia mercado brasileiro e adianta planos para 2020. Einstein Voice AI é testado em português

Carla Matsu*

24/11/2019 às 14h15

Foto: Divulgação

A Salesforce mantém certa discrição quando o assunto é o tamanho de sua operação global. No Brasil, a situação não é diferente. Apesar de não abrir números, Fábio Costa, presidente da Salesforce Brasil, reserva-se a dizer que o ano foi “sensacional. Tivemos um crescimento muito agressivo”, destacou em conversa com jornalistas brasileiros durante o Dreamforce 2019, evento anual da companhia que aconteceu em São Francisco (CA).

Na liderança brasileira da Salesforce há menos de um ano, Costa avalia que há ainda muito a ser explorado no mercado local, em regiões como o Norte, Nordeste e Centro Oeste. “Temos estratégias muito claras para 2020 e desafios bastante grandes na vertical e na horizontal. O País ainda tem uma penetração de digitalização muito baixa. E temos uma presença muito forte em pequenas, médias e grandes empresas, mas só que temos de aumentar isso de forma geográfica”, conta e acrescenta: “nosso ecossistema é chave nessa estratégia de crescimento. Nós não vamos fazer isso só com recursos da Salesforce, mas cada parceiro que vier trabalhar conosco tem uma capacidade de multiplicação gigantesca na cobertura de regiões”.

O Brasil ainda engatinha na transformação digital. Mas se a consciência de saber que os estágios iniciais da digitalização pode gerar certa ansiedade no mercado e nas organizações, esse é o mesmo contexto que cria oportunidades para empresas fornecedoras de tecnologias como cloud e microsserviços. E, claro, há aqui um espaço cativo para a Salesforce. A empresa de Customer Relationship Management (CRM) cofundada por Marc Benioff e Parker Harris projeta o Brasil como parte estratégica de seu crescimento. Prova disso é o destaque que o País recebeu em uma pesquisa realizada pela Salesforce em parceria com a IDC e divulgada recentemente.

A chamada “Economia Salesforce” (nome que a empresa dá ao seu ecossistema de parceiros e clientes) promete gerar no Brasil 491 mil empregos diretos e cerca de US$ 62 bilhões em receitas de novos negócios no período de 2019 a 2024. Tal crescimento é, novamente, capitaneado, pela ascensão da computação em nuvem, que abriga novas tecnologias e serviços que vão desde mobile, redes sociais, Internet das Coisas, Inteligência Artificial e Blockchain. E todas essas, por sua vez geram novas fontes de receita e empregos.

A relação de causa e efeito é simples. Como as empresas que investem em cloud também investem em produtos em serviços relacionados, a expectativa é que a tal "Economia Salesforce”, apenas em 2019, seja mais de quatro vezes maior do que a Salesforce individualmente, com previsão de aumentar para quase seis vezes até 2024. Assim, a IDC estima que, entre 2019 e 2024, esse ecossistema impulsione a criação de 780 mil empregos indiretos no Brasil - criados pelos gastos na economia em geral pelas pessoas que ocupam os 491 mil empregos diretos mencionados anteriormente.

Como preencher a lacuna de talentos

Há, entretanto, no horizonte das companhias que avançam seus projetos de digitalização um problema que reverbera em pequenas e grandes organizações: a falta de talentos capacitados. Dado à evolução das tecnologias, como preparar a força de trabalho para o amanhã e manter a competitividade? Na visão de Costa, o Brasil encontra um desafio ainda maior que outros países. “Não só pela questão do número de desempregados, mas também temos um desafio grande de reprepará-los para uma uma nova vida devido a diversos fatores”, reflete.

A forma como a Salesforce encontrou para lidar com esse descompasso existencial entre os avanços tecnológicos e as habilidades para dominá-los foi um programa chamado de Trailhead. A iniciativa global consiste em oferecer conteúdo online e aberto por meio de trilhas de aprendizado para que aqueles que se dedicam a eles consigam estar capacitados nas soluções Salesforce. “O maior benefício da Salesforce é que, de certa forma, ela democratiza o conhecimento de tecnologia. Democratizar esse conhecimento é fundamental no futuro, o que significará que usar a ferramenta vai ser menos sobre saber codificar, menos programar, e mais fazer a orquestração das ferramentas”, explica Costa.

Um dos exemplos de talentos “reformados" com a Salesforce foi apresentado durante o Dreamforce. Um caso de um veterano militar que se tornou um “trailblazer”. Recentemente, a companhia também inaugurou em São Paulo um Trailhead Center, espaço físico dedicado a capacitação nas competências Salesforce, porém voltado para o mercado corporativo. Durante o evento, a Salesforce também anunciou uma nova versão redesenhada do seu aplicativo Trailhead Go para aparelhos iOS.

Hey Einstein, quando você falará português?

As soluções de inteligência artificial da Salesforce têm protagonizado o discurso e as apresentações da companhia nos últimos anos. Na edição passada, quando a Computerworld Brasil também esteve no Dreamforce, o grande anúncio se deu ao redor de um novo "CRM conversacional” habilitado por um, então, novo Einstein AI Voice.

Em resumo, a Salesforce busca levar as mesmas capacidades de conversação por voz, que plataformas como Google Assistente, Alexa e Siri entregam aos consumidores, para os usuários corporativos de seu CRM. O objetivo é aumentar a produtividade e eficiência dos times de vendas e, claro, as possibilidades analíticas e de fechamento de negócios.

No Brasil, ainda não há uma previsão oficial para trazer o Einstein Voice AI Assistant, mas segundo Costa a Salesforce já roda um projeto piloto com cerca de dez pessoas que estão treinando o Einstein para o português. As outras capacidades analíticas do Einstein integradas ao CRM já seguem disponíveis no mercado brasileiro.

"A vida está ficando mais fácil do ponto de vista tecnológico, o que vai fazer com que a gente enfrente a realidade”, reflete Costa. "E qual é a realidade? Entender o que o seu cliente realmente compra de você e o que ele não compra de você. O que você serve bem a aquele cliente ou o que você não serve de maneira correta. Antes, você não chegava a esse estágio de entender uma boa relação, você sempre estava no modo sobrevivência. Consegui vender ou não consegui vender. O objetivo era a curto prazo. Com essas plataformas, ou melhor, com a tecnologia, você vai começar entender realmente se o seu negócio está na melhor forma”, conclui Costa.

*Jornalista viajou a San Francisco (CA) a convite da Salesforce