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Para Nobel de Economia, trabalho é o principal local de aprendizagem

Paul Romer acredita que, para sobreviverem ao futuro do trabalho, profissionais devem optar por empresas e funções nas quais possam aprender algo novo

Por Carolina Pereira, da IT Trends

21/11/2019 às 18h49

Foto: Alexander Mahmoud/Nobel Media

Para o economista americano Paul Romer, o avanço da tecnologia está no coração do crescimento econômico das nações. O vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2018 é conhecido por integrar as inovações tecnológicas nas análises macroeconômicas de longo prazo e relacioná-las diretamente com o desenvolvimento.

E, em um cenário no qual a tecnologia vem avançando e ganhando cada vez mais espaço, Romer não costuma temer o futuro do trabalho: “Precisamos resolver o problema de hoje. No Brasil, eu acho que o principal problema hoje é que há pessoas que não têm um trabalho. E essa deveria ser uma prioridade muito alta”, avalia.

  • A versão original desse texto pode ser encontrada no site da IT Trends

O economista participou, na última quinta-feira (21/11) do Fórum Brasil Digital, em São Paulo, e falou com a IT Trends sobre como governo, empresas e os profissionais podem se preparar para o impacto da tecnologia e transformação digital nas carreiras. Para ele, o trabalho é o principal local de aprendizagem, e o governo deveria assegurar que há cada vez mais trabalhos disponíveis que dão a oportunidade de aprender coisas novas.

“As empresas com sistemas modernos geram lugares melhores para
aprender. E não necessariamente essas companhias são digitais”, avisa o
ganhador do Nobel. Dentro do conceito de Romer, empresas que possuem
formas de monitorar e assegurar entregas de alta qualidade ou prover feedbacks nessa direção estão dentro do grupo que ele considera ideal para os profissionais atuarem hoje.

No campo da educação, para reforçar a empregabilidade
dos futuros profissionais, Romer acredita no poder das avaliações para
melhorar o ensino, especialmente a avaliação dos próprios professores.
Para ele, fornecer feedback de que o que eles estão fazendo está
funcionando ou não é essencial. “Essa é uma das coisas que o governo
deveria prover”, diz.

Um teste já existente e que pode ajudar neste sentido, segundo Romer, é o chamado Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que é aplicado de forma amostral a estudantes matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental na faixa etária dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países.

O objetivo do PISA é produzir indicadores que contribuam para a
discussão da qualidade da educação nos países participantes, de modo a
subsidiar políticas de melhoria do ensino básico. Os dados de 2016
mostram o Brasil na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª
colocação em matemática, de um total de 70 países avaliados. Os
resultados do último exame devem sair ainda neste ano.

Fake news e competitividade digital

Ainda em sua visita ao Brasil, Paul Romer também disse acreditar que as fake news
têm impacto na economia e sugere, para combatê-las, a criação de uma
identidade digital capaz de assegurar quem cada pessoa é na internet.
Ele defende uma solução tecnológica que ajuda a restabelecer o valor da
reputação das pessoas na era digital.

“Eu não olho para nenhuma notícia sem que eu saiba quem escreveu o artigo e onde o autor trabalha. Agora, pessoas podem escrever um artigo e dizer que foi Paul Romer quem escreveu. Precisamos de um mecanismo para saber quem escreve uma notícia e checar a reputação”, analisa.

“Prefiro viver em uma sociedade em que empresas inovadoras obtêm um
benefício tributário quando criam novas divisões lucrativas como
empresas independentes; e onde os novos participantes podem sobreviver e
prosperar. Não quero viver em uma sociedade em que o modelo de negócios
para cada novo participante dependa de ser absorvido por algum
monopólio dominante”, explica ele em seu site.