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Startup de coworking WeWork planeja demitir cerca de 4 mil funcionários

E-mail interno afirma que demissões em massa estão nos planos de curto prazo da empresa de coworking

Da Redação

19/11/2019 às 15h00

Foto: Shutterstock

A vida complicou para o WeWork neste segundo semestre. Após apresentar os documentos iniciais para o processo de abertura de capital, tanto investidores como o mercado identificaram que a gestão e sustentabilidade do negócio tinham vários pontos graves e a companhia viu seu IPO, estimado em US$ 47 bilhões, dar com a cara na porta. 

Enquanto enfrenta a desconfiança do setor e com US$ 1,6 bilhão em prejuízos, a empresa busca alternativas para se manter economicamente saudável. E a companhia já bateu o martelo: vai começar um processo de demissão em massa ainda nesta semana. 

Em e-mail interno, o chairman Marcelo Claure anunciou que as demissões serão necessárias para reequilibrar as finanças da marca. A aposta do mercado é que boa parte dos desligamentos se dará em áreas que não estão diretamente focadas no serviço de aluguel de espaços, como funcionários de empresas compradas pela WeWork e empregados no setor de manutenção e limpeza. 

A médio prazo, a companhia também espera se desligar de negócios paralelos para fortalecer sua principal fonte de renda, que deriva do aluguem de espaços para empresas e autônomos.   

A reestruturação mundial já vinha sendo comentada pelo mercado e, de acordo com comunicado divulgado pelo WeWork em outubro para o portal da Época Negócios, a priori os empregos brasileiros não serão afetados com a medida.  

O caso Neumann 

Em paralelo com a notícia da demissão, um fato que vem provocando indignação em muitos funcionários da startup é que Adam Neumann, antigo CEO e fundador da companhia, está em uma situação bem diferente da vivida pelos funcionários. 

Após entregar o cargo e transferir o controle da operação para o SoftBank, que está desenvolvendo um plano de ação para recuperar a empresa, o executivo deve receber do banco japonês mais de US$ 1 bilhão ao vender boa parte da sua participação acionária da marca. Muito por conta do timing, essa disparidade de eventos acabou pegando muita gente de surpresa. 

"Como diabos ele pode deixar a empresa quase que no chão e depois ser recompensado? Os funcionários trabalhando para tentar fazer essa coisa funcionar - e ele tem a coragem de se virar e tirar esse dinheiro da mesa”, foi o comentário de um executivo ouvido pela CNN

Para muitos analistas que estão discutindo a situação, o caso traz duas lições importantes: 1) para os investidores, é importante aumentar a barra de análise antes de investir dinheiro em um negócio sem informações mais estruturadas de lucro; e 2) para quem tem como sonho trabalhar em uma startup, é sempre importante ao menos tentar garantias contratuais de forma que o desejo não vire um pesadelo.