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Amazon e eBay: só usamos dados pessoais para melhorar a experiência

Durante painel no Web Summit, executivos das gigantes do e-commerce também apontaram desafios atuais do setor para continuar crescendo

Bruno Guedes, de Lisboa

08/11/2019 às 11h00

Foto: Divulgação

“Nós usamos os dados que coletamos dos nossos clientes para melhorar a experiência deles, entregar o que eles precisam e ajudá-los a tomar as decisões certas. É diferente de usar informações do usuário para vender ou para refinar publicidade”, defendeu-se Werner Vogels, CTO da Amazon, ao ser questionado sobre o assunto pelo editor financeiro da Handelsblatt, Felix Holtermann, durante painel nesta quinta-feira no Web Summit, em Lisboa.

Privacidade dos dados é um dos principais motes do evento neste ano, aberto na última segunda-feira (4) por um discurso enfático de Edward Snowden. Na ocasião, o ex-analista de sistemas da NSA, que denunciou em 2013 a vigilância geral e irrestrita do órgão a qualquer cidadão comum, declarou que a geração atual teve a privacidade totalmente roubada com a manipulação de dados dos usuários da rede por empresas digitais, redes sociais e governos.

“O cliente só compartilha seus dados conosco se desejar”, reiterou o CTO da Amazon, ao ser questionado novamente sobre o assunto. Vice-presidente global de pagamentos da eBay, Alyssa Ctright, foi reticente sobre o assunto, mas também disse que a utilização de dados coletados pela plataforma tem propósito de melhorar a satisfação do cliente na navegação e nas operações de compras.

O painel “Os gigantes do e-commerce, em conversa” teve como foco os desafios do comércio eletrônico para crescer. Meios de pagamento estiveram no centro da discussão como um fator determinante para o sucesso da compra online.

“Nós precisamos permitir ao cliente pagar do jeito que quer”, disse Vogel, da Amazon. A transação na moeda local do consumidor, segundo ele, é condição elementar, mas características regionais representam fator determinante neste quesito.

“Há uma demanda predominante em cada região. Nos Estados Unidos, impera o cartão de crédito como preferência. Na Alemanha, por exemplo, é diferente. No México as pessoas querem pagar em dinheiro. Temos de nos adaptar a tudo isso continuamente e a tempo”, ressaltou Alyssa Ctright.

Ela afirmou que apenas 30% dos usuários que começam uma compra de fato a terminam e muitas variáveis podem ter influenciado para a desistência, entre eles facilidade em completar a transação da forma mais cômoda individualmente.

Para Vogel, ao lado de preço baixo e facilidade de navegação, conveniência é uma característica em comum a todos e que não muda no comportamento das pessoas independentemente das inovações de mercado. “Portanto, temos muita tecnologia, mas tudo é sobre o consumidor”.