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Com drones, Amazon quer entregar compras em até meia hora

Testes da nova modalidade estão avançados, garantiu CTO da companhia, Verner Vogels, durante palestra no Web Summit

Bruno Guedes, de Lisboa

06/11/2019 às 17h00

Foto: Divulgação

A Amazon promete em breve começar a entregar as compras de usuários de sua plataforma em menos de meia hora. A façanha só será possível com o lançamento de drones que servirão como meio de transporte de encomendas de até três quilos e que estejam disponíveis em algum ponto de venda em um raio de 30 quilômetros do local da entrega.

O CTO da multinacional norte-americana, Werner Vogels, declarou durante o painel “Amazon.ai” no Web Summit, em Lisboa, que os drones estão em fase avançada de testes, mas não deu prazo para o início da operação dos aparelhos como entregadores virtuais.

“Nossa maior preocupação neste momento é com a segurança. Para que as entregas por drones sejam bem-sucedidas, precisamos de sensores múltiplos que permitam identificar qualquer obstáculo no meio do caminho, sejam estáticos ou móveis”, explicou ele. Há uma infinidade de objetos das mais diversas características, segundo Vogels, que podem estar na rota do drone no ambiente urbano, alguns deles mais difíceis de serem identificados, como fiação elétrica e até linhas de pipa.

Os desafios estão sendo vencidos com machine e deep learning – conceitos nada novos para uma das companhias que, mesmo tendo sido fundada no século passado, tem a inteligência artificial em seu DNA.

A Amazon nasceu em junho de 1994 como uma plataforma de venda de livros, mas logo passou a comercializar todo tipo de produtos. A tecnologia por trás do sistema permitiu um crescimento em progressão geométrica ao longo dos anos. “A Amazon foi criada por cientistas informáticos e já fez coisas fascinantes”, disse o empolgado CTO, durante sua palestra.

O machine learning permitiu a partir dos anos 1990 que a plataforma de vendas fosse customizada para cada consumidor. Os algoritmos entendiam quem eram os clientes e ofereciam o que eles queriam e precisavam, contou Vogels. A loja eletrônica passou a considerar a sazonalidade de compras, o tipo de produto mais adequado a oferecer de acordo com cada cultura, as tendências de consumo de acordo com novos fatos ou influências midiáticas e diversas outras variáveis.

Tudo elementar para a dinâmica da economia digital da atualidade, mas inovador há mais de 20 anos. O aperfeiçoamento do sistema através do machine learning também resolveu obstáculos logísticos de forma a entregar produtos em tempo cada vez menor em todo o mundo, chegando a menos de um dia, a partir da identificação dos pontos de venda mais próximos.

Assim, a Amazon se tornou neste ano a empresa mais valiosa do mundo: se fosse vendida, seu preço de mercado seria pelo menos 916 bilhões de dólares, segundo informações da Forbes norte-americana.