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Brasil tem resistência em aplicar IA às redes, diz pesquisa da Cisco

Levantamento mostra que mais de um terço dos líderes de TI acredita que há relutância dos profissionais em introduzir automação avançada nessa área

Carolina Pereira*

30/10/2019 às 9h00

Foto: Shutterstock

Uma pesquisa feita pela Cisco mostra que a adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (AI) e automação em redes ainda encontra certa resistência no Brasil. O levantamento mostrou que 39% dos líderes de TI do País acreditam que há relutância do pessoal de rede em introduzir automação avançada e análise/tecnologias de IA e que 36% indicam dificuldade de integrar ferramentas e gerenciamento de automação. Estes são os dois maiores obstáculos para a transição das organizações para uma rede avançada, de acordo com o levantamento.

Max Tremp, diretor de engenharia da Cisco para América Latina, afirma que avançar na utilização de IA é crucial para que seja possível analisar os dados que passam pelas redes e transformá-los em informações importantes para os negócios. Nesse contexto, a IA também é responsável pela tradução de “o que fazer” para “como fazer”, por meio do uso de NLP (Neuro-linguistic programming), por exemplo.

A IA também é importante para quebrar o ciclo de manutenção do status quo das redes, deixando as equipes com mais tempo para cuidar de novos projetos. No Brasil, 66% dos executivos consideram que os times ainda gastam mais que metade do tempo apenas mantendo o funcionamento da rede, percentual acima média global (51%).

Os dados são da pesquisa 2020 Global Networking Trends Report, que aborda com as lideranças de TI quais serão as principais tendências na área de redes para o próximo ano. Os números foram divulgados durante o Cisco Live!, evento da companhia que reúne seis mil pessoas da América Latina em Cancún (México) entre o dias 29 e 31 de outubro.

Desafios para avanço das redes

A estruturação dos departamentos de TI também pode ser um entrave para a evolução das redes. Isso porque eles normalmente estão organizados em silos, segundo Tremp. Globalmente, 27% das organizações indicaram que o design em silos e a abordagem operacional entre domínios de rede separados as impedem de conseguir modernizar suas redes.

Outro ponto desafiador é o desenvolvimento de habilidades necessárias para o avanço das redes, já que 27% dos líderes de TI do mundo todo reconheceram que a falta de skills necessários é o principal obstáculo para transitar para uma rede avançada. Para lidar com este problema, 22% dos entrevistados estão priorizando reskilling (requalificação) e upskilling (atualização) para lidar com esta questão.

Tremp alerta para a necessidade de transformar as redes de algo reativo para ferramentas otimizadas e alinhadas com os negócios. A pesquisa apontou que grande prioridade dos líderes de TI e estrategistas de rede é maximizar o valor de negócio e alinhá-la mais às necessidades das empresas: quase 40% dos líderes de TI apontaram essa necessidade como sua maior prioridade, acima de simplificação de operações, otimização da produtividade dos funcionários e minimização de incidentes de segurança.O executivo lembra que a criação do SDN (Software Defined Networking), que foi um grande avanço nesse sentido, já tem quase uma década, e agora é hora de dar um passo adiante. “É preciso traduzir a questão do negócio para a infraestrutura”, afirma.

*Jornalista viajou a Cancun, México, a convite da Cisco