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De olho em seu emprego: como não ser superado pela tecnologia?

Durante IT Forum X, executivos falam sobre como se reinventar em tempos de acelerada transformação digital das empresas e carreira

Guilherme Petry*

18/10/2019 às 18h16

Foto: Shutterstock

A indústria digital é reconhecida pelo seu amadurecimento rápido e sólido. E sua influência é facilmente percebida ao analisar a forma como fazemos compras, como alugamos casas ou quartos de hotel e até mesmo como arrumamos empregos. Durante o IT Forum X, evento realizado pela IT Mídia nesta semana, em São Paulo, executivos se encontraram para debater este cenário no painel "A economia digital vai revolucionar sua carreira. Como lidar?”.

Na visão dos executivos, essas alterações de processos econômicos proporcionados pela tecnologia são, na realidade, melhorias, que facilitam e tornam a vida de pessoas e empresas mais ágeis e que acabam exigindo menos recursos. Mas diante tantas mudanças, como se adaptar a esse novo cenário e como profissionais devem se preparar, questionou Jairo Okret, senior client partner da consultoria Korn Ferry, que mediou a conversa.

Eliete Oliveira, consultora em recolocação e desenvolvimento de carreira e Top Voices do LinkedIn em 2018, se vê como um exemplo de profissional que teve que se adaptar muitas vezes às exigências do mercado. Oliveira começou sua carreira como datilógrafa, mas teve que fazer curso de digitadora quando viu sua profissão acabar, além de se adaptar ainda muitas vezes até chegar a profissão de influenciadora digital.

“Influenciadora é por exemplo uma profissão nova”, comenta a executiva sobre os modelos de trabalho que estão sofrendo drásticas mudanças. “Aquela coisa do emprego formal está mudando, estamos vivendo a liquidez das relações de trabalho. As transformações estão acontecendo de uma maneira muito mais rápida e por isso, não podemos ter resistência ao novo, precisamos nos reinventar”, diz.

A executiva conta o exemplo da profissão de advogado, que já opera com processos automatizados. “Processos mais simples já são resolvidos com inteligência artificial, os advogados vão se dedicar a resolver problemas muito mais sérios”, projeta Oliveira, para um futuro próximo do trabalho do advogado.

De acordo com um estudo realizado pelo Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (LAMFO) da Universidade de Brasília (UnB), a profissão de Advogado, conta com um risco de automação de 75,96%.

Cai Igel, CEO da Alstra Technologies, plataforma que conecta trabalhadores independentes à empresas para atuação em projetos e soluções de negócio, comenta que essas mudanças na relação entre trabalhador e empresa já pode ser vista há alguns anos. “É uma mudança que não tem volta, que gera um desafio para o mercado e seus profissionais”, diz. Igel explica também que é muito importante que os profissionais do mercado, independente da área, se preocupem em amadurecer e se adaptar a esse novo modelo de trabalho que exige profissionais autodidatas e gestão de carreira.

Silaine Stüpp, CEO da HerForce, empresa que certifica outras empresas que tenham concluído as etapas da Transformação Cultural com foco em diversidade de gênero, comenta que o mundo está em constante mudança. “As empresas mudam e o mercado de trabalho muda”, diz.

Stüpp conta também que a tecnologia ofereceu ao profissional uma possibilidade de capacitação segura, online e gratuita, além de que o meio digital proporciona a inserção de mais mulheres no mercado de trabalho. “O mundo não vai acabar porque essas profissões estão desaparecendo”, conclui a empresária.

Ainda de acordo com o estudo do LAMFO, até 2026, 30 milhões de vagas com carteira assinada podem desaparecer conforme a automatização, robótica e inteligência artificial evoluem. O estudo levou em consideração 2,6 mil empregos brasileiros oficializados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para calcular o risco de automação na sua profissão veja o link. (https://ittrends.com/meu-emprego-vai-desaparecer/)

*Estagiário sob supervisão da editora Carla Matsu