Home  >  Negócios

Como o Nubank se tornou decacórnio com um ‘simples’ cartão de crédito?

Durante o IT Forum X, Dennis Wang, VP de Operações do Nubank, compartilhou alguns dos ensinamentos da fintech mais reconhecida do Brasil

Carla Matsu

17/10/2019 às 16h38

Foto: Divulgação

O setor de fintechs no Brasil está a todo o vapor. Segundo o Mapa de Fintechs do Brasil de 2019, um levantamento feito desde 2011 pelo blog Finnovation, há atualmente 504 fintechs em operação no País, dessas que atendem tanto os anseios do consumidor final quanto as necessidades de empresas e do varejo. Fintech mais reconhecida do Brasil, o Nubank conseguiu levantar para si um negócio que hoje rende operações não só no País, como na Argentina e no México, além de um escritório de engenharia na Alemanha. Neste ano, a startup foi alçada ao patamar de decacórnio - nome dado às startups que ultrapassam os US$ 10 bilhões de valor de mercado. Entretanto, olhe para o Nubank e você verá uma empresa que se levantou a partir de um "simples" cartão de crédito, ainda em 2013. Mas como com, apenas um produto, a startup chegou a esse patamar?

Dennis Wang, VP de Operações do Nubank, foi um dos convidados da 7ª edição do IT Forum X, evento realizado pela IT Mídia e participou do painel "A metamorfose do mercado financeiro e seus impactos nos usuários". "Sempre focamos em tecnologia e no produto com muito cuidado. Estamos trabalhando com um produto financeiro e não ter acesso a crédito é algo que pode empatar a sua vida", conta Wang a Vitor Cavalcanti, CEO do IT Trends, que mediou o painel. "Sempre fomos muito responsáveis com o desenvolvimento do produto. O cartão e o app mudaram pouco, porque estamos montando toda a arquitetura para o produto ser viável", complementa.

O brasileiro é conhecido por ser early adopter de serviços de tecnologia. Pesquisa do Google de 2019 buscou investigar a satisfação de clientes de fintechs e bancos tradicionais para encontrar quase um abismo entre um e outro. Sete em cada 10 clientes das fintechs se disseram satisfeitos com seus serviços, enquanto quatro em cada dez clientes de bancos tradicionais concordaram com o mesmo. Indagado sobre se o Nubank precisou investir na educação do próprio usuário para confiar no serviço, Wang diz que não foi este o caso. "Não pedimos para as pessoas colocar suas economias em um app. A pior coisa que poderia acontecer seria o Nubank deixar de existir e aí você não precisaria pagar uma conta", brinca.

A grande sacada do Nubank também tem muito a ver com o timing da companhia, sugere Wang. "Em 2011, chamar um carro pelo aplicativo e entrar em um carro com um desconhecido era ainda estranho", lembra o executivo que foi co-CEO do aplicativo Easy Taxi. Mas no caso do Nubank, recorda, as pessoas pediam por um serviço que descomplicasse a relação delas com os bancos e o cartão de crédito. "Já havia outros aplicativos e as pessoas confiavam na tecnologia", destaca. "As pessoas já pediam para não ter de ir mais a uma agência bancária", reforça.

Wang conta que, conforme o número de clientes foi aumentando, o Nubank começou a introduzir mais produtos, em um caminho natural, avalia o executivo."Começamos a ver muitas das dores que clientes tinham com cartões de crédito e eles começaram a pedir para terem sua vida financeira no Nubank. No final de 2017, lançamos a NuConta. E naturalmente, outros pedidos começaram a acontecer". Um dos produtos mais recentes que o Nubank lançou foi o empréstimo pessoal e a abertura de conta PJ.

Ao mesmo tempo, o Nubank conseguiu surfar em uma onda da própria transformação digital e a popularização de microsserviços na nuvem. "Você acredita que empresas como a Easy e o Nubank poderiam existir sem ter toda essa digitalização, sem a democratização da TI no lado corporativo?", indaga Cavalcanti.

"As empresas tradicionais conseguem mudar muito quando estão mega centradas no cliente", responde Wang. "A tecnologia permitiu grandes mudanças nos modelos de negócios. Hoje não cobramos anuidade, porque nossos custos são menores. Não temos agências como bancos, e conseguimos estar em 100% dos municípios brasileiros. Conseguimos melhorar os modelos de negócios existentes pelo uso da tecnologia", destaca.

Atualmente, com mais de 15 milhões de clientes, o Nubank encontrará o desafio de se manter inovador ao mesmo tempo que tenta escalar seu negócio. Perguntado se a empresa tem conseguido manter o DNA inovador a medida que consegue entender a dor do cliente, Wang diz que sim, mas que a tarefa não é fácil. "Quando começamos o Nubank, começamos com um cartão de graça. Sabíamos como seria monetizado, tínhamos ideias e apostas. No início o risco era zero, mas agora com milhões de clientes, a aposta é maior", conta.

Wang reforça que grande parte das respostas de empresas que buscam inovar é olhar para o cliente. Por isso, a necessidade de desenvolver novos produtos em grupo. "Quando vamos desenvolver um produto, sempre nos perguntamos se isso é bom para a gente ou bom para o cliente. Se for bom para o cliente, nós vamos trabalhar para viabilizar isso".