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MPEs brasileiras devem gastar mais de R$ 77 bilhões com burocracia

De acordo com a Sage, que divulgou os dados, houve melhora em relação ao total de 2018 graças ao uso de tecnologia

Da Redação

08/10/2019 às 11h00

Foto: Shutterstock

Em 2019, as micro, pequenas e médias empresas brasileiras devem dedicar R$ 77 bilhões para a atividades de backoffice, de acordo com a Sage, em presa de gestão da nuvem que lançou a segunda parte do estudo anual Termômetro de Produtividade para MPEs.

O Termômetro de Produtividade da Sage, feito em parceria com a YouGov, analisa quanto tempo e dinheiro as MPEs empregam em atividades burocráticas no Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Irlanda, Alemanha, Espanha, França, Brasil, África do Sul, Suíça e Malásia.

De acordo com a pesquisa, o volume gasto pelas MPEs brasileiras nestas atividades havia chegado a R$ 48,7 bilhões entre janeiro e agosto desse ano. Distribuindo esse cálculo, são R$ 2.442 por segundo, R$146.539 por minuto e R$ 8.792.366 por hora.  As atividades que mais consomem tempo das brasileiras são contabilidade (13%), contabilidade fiscal (13%), folha de pagamento (13%) e emissão de notas fiscais (13%).

O ranking global dos mercados mais burocráticos segundo a Sage é encabeçado pela Espanha. O país ibérico gasta 10,2% de seu tempo de trabalho com atividades administrativas que poderia ser fortemente reduzido com o uso de tecnologia e ferramentas digitais. Na sequência vêm França (7,5%) e Suíça (7%), seguidas de perto por Brasil (6,2%). Na outra ponta, está o Canadá com apenas 1,7%.

No mundo, o valor dedicado a atividades administrativas no mundo em uma semana de trabalho foi de 446 bilhões de libras (cerca de 2,7 trilhões de reais), volume 2,6% maior em relação ao período anterior.

 

Brasil avançou com tecnologia

Apesar do resultado global ter sido maior do que a edição de 2018, o balanço brasileiro apresentou redução de custos.  A conta de R$ 77 bilhões ficou menor do que a do ano passado, quando R$ 79 bilhões foram registrados em gastos burocráticos.

Segundo os executivos entrevistados, o investimento em tecnologia no último ano foi o grande responsável pela pequena melhora, otimizando o tempo de trabalho das equipes e melhorando o desempenho das organizações no período. Eles contaram que a estratégia aumentou o lucro em 62%, melhorou em 60% os serviços de atendimento ao cliente, elevou em 59% a produtividade no ambiente de trabalho, flexibilizou o trabalho e engajou mais os funcionários (50%).

Jorge Santos Carneiro,  presidente da Sage Brasil e América Latina, acredita que os dados representam um desafio para empreendedores e profissionais de pequenas e médias empresas. “Estamos observando uma maior consciência dos empresários de que a adoção de tecnologia contribui, e muito, para o desempenho de suas organizações.”

Carneiro avalia, porém, que essa transformação digital deveria ocorrer de forma muito mais rápida. “É um sinal de alerta o fato de que em 2019 o crescimento das pequenas e médias empresas, que são responsáveis por 52% dos empregos formais no Brasil, seja ainda limitado pela não utilização de ferramentas e competências digitais. Conforme essa lacuna seja diminuída e superada, os benefícios serão sentidos por todos.”