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América Latina precisa lutar por ondas milimétricas para 5G, afirma GSMA

De acordo com GSMA, a utilização do espectro correto pode fazer com que região obtenha PIB adicional de quase US$ 21 bilhões

Da Redação

08/10/2019 às 13h09

Foto: Shutterstock

Assim como as outras redes móveis, o 5G precisa de um funcionar dentro de um espectro e faixas de frequência pré-definidas e, no melhor dos mundos, utilizadas em escala global, para que a adoção da tecnologia ocorra de forma integrada entre diversos países.  A ideia é que esse consenso surja durante a Conferência Mundial de Radiocomunicações 2019 (WRC – 19, na sigla em inglês) evento que começa no dia 28 de outubro e reunirá mais de 190 países para a definição de qual espectro será usado.

Se depender da GSMA, entidade do setor, a frequência utilizada será a de ondas milimétricas (ou mmWave), que funciona a partir de 24GHz e que é capaz de fornecer serviços de capacidade e velocidade ultra altas. Mas essa definição não será tão simples assim, pois o mercado europeu alega já usar essa frequência para comunicações feitas pela indústria espacial e sugere o uso de outras faixas

Para defender o seu ponto, a organização publicou um comunicado afirmando que o uso das frequências milimétricas é capaz de fornecer à América Latina um valor extra de US$ 20,8 bilhões ao seu PIB e que, caso esse espectro não seja utilizado, a implementação do 5G pode sofrer um atraso de até dez anos.

 

Avanços com o 5G

De acordo com o texto enviado pela entidade, estudos independentes apoiados por países das Américas, África e Oriente Médio já demonstraram que o 5G pode coexistir de forma segura e eficiente com serviços meteorológicos, serviços comerciais por satélite e outros, mesmo em faixas acima de 24GHz.

Segundo comunicado “os países europeus estão determinados a limitar o uso desse espectro devido a alegações infundadas de possível interferência nos serviços espaciais” e essa linha de pensamento precisa ser combatida pelos membros Latam que estarão presentes na WRC-19

Para incentivar o apoio ao uso de ondas milimétricas, a GSMA fez um estudo apresentando o impacto que esta tecnologia pode apresentar na América Latina até 2034.  De acordo com a entidade, estima-se que as conexões 5G atinjam 62 milhões até 2025, equivalente a 8% do total de conexões na região.

Entre os principais mercados, o Brasil responderia por 26 milhões de conexões, México por 18 milhões e Peru por 4 milhões. Iniciativas no setor de educação e transporte, em especial, também se beneficiariam do uso do 5G por meio de ondas milimétricas, que permitiram o uso em alta escala de soluções como realidade aumentada nas escolas e maior integração entre os serviços de transporte.

“A CMR-19 é a única oportunidade que os países da América Latina terão para proteger o espectro de ondas milimétricas para uso futuro, viabilizando a oferta de serviços 5G na próxima década”, acrescentou Lucas Gallitto. “A América Latina entende a necessidade de encontrar o equilíbrio certo entre diferentes usos do espectro. É por isso que os governos latino-americanos têm apoiado ativamente estudos técnicos que demonstram como o 5G pode operar nessas frequências sem causar danos a outros serviços de espectro existentes, incluindo serviços meteorológicos em bandas vizinhas de espectro.”