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Por que o 4º maior banco do mundo planeja testar sua própria criptomoeda?

Anúncio da criptomoeda da Wells Fargo segue projeto semelhante a aquele revelado pelo JP Morgan Chase

Lucas Mearian, Computerworld (EUA)

01/10/2019 às 8h01

Foto: Shutterstock

A Wells Fargo & Company anunciou recentemente planos para testar sua própria criptomoeda, apoiada em dinheiro fiduciário, começando com o dólar americano. O Wells Fargo Digital Cash, que será executado na primeira plataforma de tecnologia de contabilidade distribuída (DLT) do banco, com base na especificação blockchain R3 Corda Enterprise, permitirá transferências internas de livros de pagamentos na rede global do banco. A iniciativa também possibilitará transações entre as agências internacionais.

O quarto maior banco do mundo afirmou que já testou com sucesso a tecnologia entre contas americanas e canadenses usando dólares americanos. Moedas adicionais serão consideradas após o teste-piloto, de acordo com um porta-voz.

"A rede DLT interna será um utilitário corporativo reutilizável para a Wells Fargo criar e implantar vários aplicativos baseados em DLT", explicou o banco em comunicado.

"Como resultado da digitalização crescente dos serviços bancários em todo o mundo, vemos uma demanda crescente para reduzir ainda mais o atrito com as fronteiras tradicionais, e a tecnologia atual nos coloca em uma posição forte para fazer isso", disse Lisa Frazier, chefe do Grupo de Inovação da Wells Fargo. "Acreditamos que a DLT é promissora para uma variedade de casos de uso e estamos animados para dar esse passo significativo na aplicação da tecnologia ao banco de maneira escalável."

O Wells Fargo Digital Cash utiliza um aplicativo de contrato inteligente, uma forma de software de automação comercial, para apoiar o processo de troca de moeda digital.

O anúncio de criptomoeda da Wells Fargo segue um projeto semelhante revelado no início deste ano pelo JP Morgan Chase, o maior banco dos EUA e o sexto maior do mundo. O JPM Coin, como a instituição chama a sua moeda virtual, também será inicialmente baseado no dólar americano.

Na indústria de criptografia, um instrumento como o JPM Coin e o Wells Fargo Digital Cash é conhecido como "stablecoin", já que possui um valor intrínseco vinculado à moeda fiduciária, ao contrário das moedas Bitcoin ou ETH da Ethereum, cujo valor é baseado na oferta e demanda de dinheiro virtual.

"Quando um cliente envia dinheiro para outro através da blockchain, as moedas JPM são transferidas e resgatadas instantaneamente pelo valor equivalente em dólares dos EUA, reduzindo o tempo típico de liquidação", disse o JPMorgan em uma FAQ online.

De acordo com Avivah Litan, vice-presidente de pesquisa do Gartner, até 2022, pelo menos 25% dos pagamentos internacionais envolvendo bancos americanos usarão stablecoins movidas em blockchains. "Este trem deixou a estação e começará a se mover muito rapidamente quando ganhar aceleração."

Como grandes movimentadores de capital, atualmente o Wells Fargo e o JP Morgan são forçados a trabalhar sob as limitações de "sistemas de transferência de dinheiro antiquados" comumente usados ​​pelos bancos americanos, acrescentou Litan.

O Blockchain suporta uma rede de pagamento substancialmente mais eficiente, especialmente quando as implementações são personalizadas para dados bancários privados de alta velocidade e alta segurança. Para Litan, tanto o Quorum (usado pelo JP Morgan) quanto o R3 Corda Enterprise oferecem escalabilidade, privacidade e segurança.

"O R3 Corda é frequentemente criticado por não ser uma verdadeira blockchain, mas eles foram projetados por empresas de serviços financeiros por velocidade e privacidade e, como tal, ajustaram alguns dos componentes arquitetônicos comuns do blockchain", acrescentou.

O JP Morgan já aumentou sua rede internacional de pagamentos para 300 bancos e acabou de adicionar "o mega banco de transferência de dinheiro Deutsche Bank", relatou Litan. "Espero que o Wells ajude a desenvolver uma rede concorrente assim que concluir seu piloto."

Segundo o Wells Fargo, a DLT fornece um registro permanente, altamente seguro e confiável de transações e ajudará o banco a realizar movimentações financeiras quase em tempo real. O uso de uma rede DLT também eliminará qualquer intermediário, reduzindo o tempo e os custos de transferência, disse o banco. "Os clientes corporativos não precisarão alterar seus processos de pagamento, responsabilidades de gerenciamento de caixa ou práticas de gerenciamento de relacionamento para se beneficiar."

A expectativa é de que o teste piloto, projetado para 2020, seja usado inicialmente para concluir as transferências em dólares dos EUA, com o objetivo de expandir para transferências em várias moedas e toda a rede global de agências da Wells Fargo. A rede DLT interna é própria e não será conectada a outras soluções de moedas digitais emergentes nos mercados de serviços financeiros.

Vale lembrar que o setor de serviços financeiros não é o único a adotar a stablecoin. O Facebook planeja lançar a moeda Libra, uma stablecoin, e a Calibra, uma carteira de criptografia na qual os consumidores podem armazenar a moeda. A gigante da tecnologia está enfrentando uma reação de países europeus, que prometeram bloquear o uso da criptomoeda de Zuckerberg, já que a Libra poderia ameaçar o valor do euro e privatizar ilegalmente o dinheiro.

Apesar das resistências, o Facebook conseguiu apoio de parceiros de grandes empresas, como eBay, PayPal, Uber e Lyft, além de provedores de serviços financeiros, como Mastercard e Visa.