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Como funcionam as plataformas de crowdfunding para imóveis?

Ainda com participação discreta, setor se destaca por viabilizar uma alternativa de investimento mais restrita no mercado

Da Redação

01/10/2019 às 13h40

Foto: Shutterstock

Dentro do mercado de fintechs, um novo modelo de negócio está surgindo para intermediar investidores e construtoras de imóveis: o financiamento coletivo de novas construções. A partir de R$ 1 mil, é possível contribuir para a construção de condomínios residenciais, empreendimentos comerciais e até bairros planejados.

Fundada em 2015, a Urbe.me é a principal companhia do ramo, após levantar R$ 49 milhões de capitalização para 30 empreendimentos imobiliários. Mas já existem outras marcas no ramo, como a Glebba, Expeer e Cap.rate.

União de interesses

As plataformas que oferecem esse serviço ajudam a resolver dificuldades enfrentadas por cada um dos lados da ponta. Para as construtoras, oferece uma forme de financiar a construção de um projeto, tarefa sempre mais difícil na fase inicial pelo número baixo ou inexistente de vendas.  Já para os investidores, oferece uma alternativa mais acessível para se investir em imóveis. Algo que, no modelo tradicional, requer mais dinheiro e proximidade com as incorporadoras.

Existem dois modelos de acordo dentro do financiamento imobiliário:

  • O crowdfunding, no qual o investidor firma um contrato diretamente com a incorporadora e passa a ter direito a uma participação sobre as vendas;
  • E o peer to peer, em que o investidor adquire um título de renda fixa emitido por um banco, que paga uma taxa prefixada no momento da aplicação. Só que, diferente de um CDB tradicional, quem assume o risco de crédito da operação é a incorporadora, não o banco, porque o título fica vinculado a uma dívida do empreendimento com o banco.

 

Como funciona

Após ter seus dados confirmados pela marca, o usuário pode acessar a plataforma e conhecer os empreendimentos que estão à venda. Daí é escolher e indicar o valor que deseja investir.  Assim como acontece em um sistema de compartilhamento, a oferta fica disponível até que a empresa consiga cumprir o número mínimo de cotas.

Uma vez encerrada a captação, o investidor confirma o aporte e continue o acordo, que será um dos dois modelos citados acima. Cada projeto apresentado conta com um prazo médio de 36 meses e uma expectativa de retorno com base no estudo feito para viabilizar o projeto.  As plataformas lucram nesse negócio cobrando uma taxa das incorporadoras pela intermediação.

 

Rentabilidade e riscos

O retorno pode ser bem significativo para quem investe: de acordo com a Urbe.me, os investidores a sua primeira rodada de crowdfunding imobiliário tiveram rendimento de 18,7% ao ano — bem superior ao das 5,5% que a Selic, que conta com a menor taxa já cobrada na história. Para quem deseja investir, pode ser uma boa alternativa.

Mas é importante lembrar que, apesar do investimento, a incorporadora pode falir, entrar em dívidas ou mesmo não concluir o imóvel — as plataformas apenas mediam a conversa, não oferecem nenhum tipo de garantia após a transação financeira. Porém, são bastante criteriosas para a escolha de quais empreendimentos estarão no site e sempre disponibilizam relatórios com informações anexadas dentro dos projetos.  Daí parte do investidor analisar as informações e escolher a proposta com menor chance de erro.

* Com informações do Valor Econômico.