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A estratégia de seleção do Nubank para crescer sem deixar de ser startup

Renee Mauldin, Chief People Officer da fintech, falou durante o Kenoby Talks sobre o plano desenvolvido para fortalecer a cultura interna da companhia

Mônica Wanderley

27/09/2019 às 15h04

Foto: Shutterstock

Qual é a melhor forma de atrair profissionais que podem, literalmente, escolher em qual lugar desejam trabalhar? Investir em uma cultura forte na qual eles se reconheçam. Pelo menos, essa é a crença de Renee Mauldin, que desde agosto do ano passado é a Chief People Officer (CPO) do Nubank, responsável por toda operação da empresa no que envolve recrutamento e retenção de pessoas.

Durante o Kenoby Talks, evento de RH que aconteceu na cidade de São Paulo, a executiva contou sobre os desafios de se contratar especialistas em tecnologia — mão de obra escassa em qualquer lugar do mundo — e como a empresa criou um formato de seleção que permitisse otimizar os processos seletivos e garantir que, além das habilidades técnicas, os candidatos selecionados tivesem aderência com a cultura da companhia.

 

Investimento interno

Durante a palestra, Mauldin explicou com detalhes o desenvolvimento do NuRecruit, um processo interno para ensinar os membros da companhia sobre as melhores práticas para selecionar possíveis companheiros de trabalho. Além disso, havia um cuidado muito grande para transmitir aos participantes do ‘Recruit’ os valores que a companhia seguia e quais características os novos nubankers precisariam ter de forma que sua contratação somasse ao pool de talentos que a companhia já tinha.

A CPO também explicou que participação dos fundadores nesse processo foi essencial para o sucesso da iniciativa. “Foi muito importante contar com o apoio [dos fundadores] porque eles, mais do que ninguém, conhecem as habilidades e traços de comportamento que as pessoas precisam ter para se darem bem dentro no Nubank.”

 

Seleção mais rápida e melhor

De acordo com Mauldin, o NuRecruit, mais de 700 colaboradores já passaram pelo treinamento de seleção da companhia, que já trouxe resultados práticos para a marca.

Atualmente, cerca de 60% dos engenheiros se envolvem no processo de contratação, contra o percentual de 20% existente antes do novo formato. O dado é significativo porque essa é uma área sensível para o Nubank e, quanto mais pessoas envolvidas, maiores as chances de que a escola do candidato seja acertada.

Outro dado significativo diz respeito ao tempo do processo seletivo: uma contratação que durava de 60 a 90 dias para ser realizada agora é feita em 30 dias, por conta de automação de processos e maior assertividade nas entrevistas.

Acertos e erros

Ao final da sua apresentação, a CPO apontou três aspectos que considera boas práticas para serem adotados por outras empresas e 3 gaps que foram identificados ao longo da implementação do NuRecruit.  Começando pelos erros:

Treine o mais cedo possível: assim, você garante não ter problemas futuros com contratações que não agregam valor à cultura da empresa.

Invista no onboarding: uma das principais formas de se fixar a cultura da companhia nos novos funcionários é apresentando um processo de onboarding estruturado assim que ele ou ela começa a trabalhar. Uma ação que a companhia só adotou muito depois.

Mantenha viva a cultura da empresa: é fácil perder a essência da cultura quando a empresa cresce exponencialmente em um curto espaço de tempo. Por isso, tenha comitês e colaboradores dispostos a realizar iniciativas que fomentem os valores mais apreciados pela marca.

 

Agora, as boas práticas

Produza em conjunto: a criação de uma cultura só é eficiente quando todos os envolvidos têm liberdade para opinar sobre o que acredita ser o melhor formato. É igual a produção de uma ferramenta que será usada por todo o escritório: se só um setor foi chamado durante a etapa de desenvolvimento, é quase certo que vão faltar funcionalidades importantes para outras áreas.

O processo importa: nessa parte, não tem muito segredo. Estabeleça processos de qualidade e se guie por eles. O único ponto importante é que eles precisam ser simples e de fácil entendimento para todos.

Utilize ferramentas que engajem:  não precisa ser algo pago e muito menos complexo. Mas é importante que a companhia conte com um canal que sirva como “guia” de cultura.