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5 perguntas para o CEO: Gustavo Rabelo, da Extreme Digital Solutions

Em entrevista, executivo comentou sobre os desafios de entrar em uma empresa em expansão e o potencial de novos negócios da transformação digital

Mônica Wanderley

26/09/2019 às 17h52

Foto: Divulgação EDS

Anunciado em agosto como novo CEO da Extreme Digital Solutions (EDS), Gustavo Rabelo chega em um momento estratégico da empresa de soluções tecnológicas, que executa um plano de expansão tanto em escala nacional como para países da América Latina e nos Estados Unidos.

Na entrevista abaixo, Rabelo fala sobre como pode contribuir para esse novo momento da EDS, sua experiência na realização de projetos para o setor público e como ele acredita que a transformação digital vai impactar os negócios no futuro. Confira.

Computerworld Brasil: Você possui mais de 20 anos de experiência no mercado, com passagens por empresas como IBM e Oracle, além de contar com vivências no setor público. Quais aprendizados acredita que podem fazer a diferença durante sua gestão na EDS? 

Gustavo Rabelo: Não só no mundo corporativo, mas em qualquer situação cotidiana sou completamente adepto ao equilíbrio, ao uso de experiências distintas e à complementariedade de perfis e competências na melhor tomada de decisão. Seja na vida pessoal ou no mundo dos negócios.

Os longos anos na IBM, passando por várias posições de liderança, permitem uma experiência ímpar para qualquer executivo. O dinamismo e a capacidade de inovação da Oracle, que saiu de um produto best seller (o banco de dados) e criou um dos portfólios mais completos da indústria, desafiam qualquer gestor em seu dia a dia. Dessa forma, poder liderar uma empresa nacional – ainda tão jovem, que não completou seis anos de vida e cresceu assustadoramente nesse período –, após esses 20 anos de gigantes multinacionais, é realmente um desafio animador.

Somado à bagagem adquirida em ambas empresas, vale ressaltar que a experiência com o setor público traz uma visão processual acima do normal. O regramento que controla as compras governamentais é de extrema complexidade e muito minucioso. Todas essas aptidões são favoráveis na gestão de negócios, em geral.

Assim, essa gama de experiências distintas faz com que a minha gestão na EDS passe pelo que mencionei antes: um equilíbrio constante na tomada de decisões, valorizando sempre as opiniões distintas no julgamento do melhor caminho a seguir.

CW: Durante o anúncio da sua chegada, a EDS comunicou que o movimento faz parte de um processo de crescimento internacional.  Qual a estratégia a empresa pretende adotar para expandir sua atuação em outros países? 

Gustavo: Vivemos em um mundo totalmente globalizado e com acesso imediato a qualquer tipo de tecnologia, recém desenvolvida em qualquer parte do mundo. As startups e os grandes centros de P&D criam inovações de forma ininterrupta. Os provedores de serviços de nuvem levam essas tecnologias para onde e para quem quiser adotá-las, sem obstáculos. Dessa forma, o diferencial dos provedores de soluções está nas referências, nos casos de sucesso e na comprovação de valor agregado em seus projetos entregues.

A Extreme Digital Solutions possui o seu DNA marcado pela excelência de sua entrega: 100% de nossos projetos são bem qualificados por nossos clientes e nos habilita a poder replicá-los. Em uma análise geográfica da América Latina, o Brasil é o maior expoente no uso de tecnologia e criação de casos de sucesso globais, como o sistema bancário vanguardista e inovador, nosso mecanismo de votação eletrônica, a plataforma de declaração de imposto de renda online, entre outros.

Nós, da EDS, queremos ser um reconhecido vetor nessa replicação de referências tecnológicas. Os problemas e desafios são similares, independente das fronteiras geográficas. Transbordar a nossa habilidade de entrega local para os países vizinhos é questão de tempo e de organização. Nossa estratégia de expansão está solidificada nesses pilares.

CW: A EDS conta com um portfólio bem consistente de empresas do setor público dentro da sua carteira de clientes. Quais são os principais desafios de se trabalhar com este setor? E quais as principais demandas vindas dos gestores? 

Gustavo: Comentei anteriormente sobre a complexidade do regramento das compras públicas. Algumas pessoas ou empresas podem considerar esse aspecto como algo negativo, moroso ou burocrático. A EDS considera esse conhecimento e a experiência adquirida como ativos da empresa. Criamos, ao longo dos anos, um conjunto de habilidades para entender, endereçar e entregar os projetos mais complexos da administração pública, sejam nas esferas Federal, Estadual ou Municipal.

Lidar com as adversidades dos ciclos eleitorais ou as oscilações orçamentárias é algo inerente ao trabalho junto ao Setor Público. Mas, o que posso afirmar, é que enfrentamos cada vez menos esse tipo de interferência nos projetos técnicos estruturantes das políticas de Estado.

E é nessa linha que concluo sobre as novas demandas dos gestores públicos: atualmente, cessam-se os projetos departamentais, estanques e sem uma estratégia pré-definida; inicia-se uma Era de projetos fundamentados, que endereçam a Transformação da Gestão Pública, com indicadores consistentes, métricas e propósitos, focados nas melhorias de serviços entregues ao cidadão.

Como cidadão, é questão de acreditar que estamos no rumo certo. Eu acredito. Na EDS, também não temos dúvida disso e, portanto, não medimos esforços para apoiar incondicionalmente os gestores públicos nesse caminho.

CW: Recentemente, uma pesquisa divulgada pela WiPro Digital divulgou uma pesquisa na qual 76% dos C-levels brasileiros estão otimistas com projetos de transformação digital. Como esse tema é tratado dentro da EDS? E como a companhia procura implementar essa cultura na operação de clientes? 

Gustavo: Trata-se de um movimento para qual não há um caminho alternativo. Poucos setores da economia (para não dizer “nenhum”) permanecerão com sua operação tradicional, tal qual foram criados e obtiveram êxito por décadas. É inevitável investir na transformação de seus processos internos, em um novo atendimento ao cliente, em sua presença no mundo virtual, na celeridade de suas decisões, etc.

Rapidamente mapeamos aqui conceitos técnicos como Inteligência Artificial, User Experience, Omnichannel, Big Data, como instrumentos viabilizadores dessa mudança. Por meio de produtos desenvolvidos internamente por nossas equipes ou pelas nossas parcerias de sucesso com os principais fabricantes de tecnologia do mundo, nos sentimos à vontade para tratar cada grande eixo técnico citado acima.

Como CEO de uma empresa de base tecnológica, posso afirmar que possuímos a maturidade necessária para apoiar qualquer tipo de organização e seus executivos na definição dessa jornada. E esse é o termo correto a ser utilizado: a transformação digital não é um acontecimento único que ocorre em um “estalar de dedos”. Trata-se de uma jornada bem planejada, onde estabelece-se prioridades e prazos, mas é construída em etapas bem definidas por toda a organização, não apenas a área de TI.

CW: Como a EDS enxerga o mercado de tecnologia no Brasil daqui a 5 anos? E como a companhia está se preparando para manter se competitiva? 

Gustavo: Mesmo com nosso anúncio formal de expansão para mercados internacionais, não perdemos nunca a nossa vocação de ser uma empresa brasileira e que acredita na prosperidade de nosso mercado local. O Brasil representa, ainda, o maior potencial de crescimento no investimento em tecnologia na América Latina. Viemos de alguns anos de demandas reprimidas, por conta da recente instabilidade política e econômica.

Porém, é certeza absoluta que os projetos de transformação digital fazem parte da agenda de prioridades de todos os gestores modernos, seja no mercado público ou privado. Continuaremos, como país, a criar referências técnicas que serão adotadas em nossos países vizinhos. Seja com desenvolvimentos internos, seja com a aparição de novos unicórnios brasileiros ou através da adoção de tecnologias estrangeiras, mas que tenhamos condições de agregar valor com uma pitada da criatividade local.

O Brasil é um celeiro de talentos. Temos aptidão para criar e encantar o mundo. Vale para diversos pontos históricos da nossa cultura nacional, mas vale também quando falamos de tecnologia.