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Para acelerar inovação, Malwee migra data centers para nuvem pública

Multinacional brasileira Tivit é quem lidera migração de um legado histórico: levar 90% de toda a infraestrutura para a cloud do Google

Por Carla Matsu

23/09/2019 às 8h01

Foto: Shutterstock

E é em Jaguará do Sul, Santa Catarina, que a empresa mais tradicional da região tem passado por uma de suas maiores transformações recentes. A gigante da indústria têxtil Malwee firmou parceria com a multinacional brasileira Tivit para levar 90% de todos os seus dados e sua infraestrutura SAP, armazenados até então nos data centers locais e proprietários, para a nuvem do Google, a Google Cloud Platform. O projeto de migração, ainda em andamento, é um grande passo da companhia rumo à transformação digital.

Anderson Gaspar, Líder de Vendas e Marketing da TIVIT, explica que a decisão de fazer a migração vai de encontro às ambições da Malwee em acelerar a inovação dentro da companhia. Ao mesmo tempo, exige uma mudança de paradigma cultural da área de TI. "Historicamente, o pessoal de TI está preso naquela sensação de olhar para o data center, ver o ativo localmente. E isso passa por uma mudança de cultura", destaca em entrevista à Computerworld Brasil. Entretanto, ao migrar a maior parte das cargas de trabalho para a nuvem, o time de TI da companhia ficará livre para assumir posições mais competitivas e estratégicas. "Essa migração para a nuvem do Google faz parte de um processo muito maior de inovação. Eles querem usar a inteligência, a experiência e o conhecimento do time de TI da Malwee para impactar o negócio e não fazer gestão de infraestrutura. É por isso que a Tivit entra junto com o Google, para absorver e liberar as pessoas da Malwee para ter uma atuação mais protagonista", complementa Gaspar.

Fundada em 1968, a Malwee é uma das empresas mais tradicionais do estado que a abriga e emprega mais de 6 mil pessoas. Tais números e bagagem reforçam também uma complexidade em gerir e levar um projeto de migração de um legado histórico. Gaspar reforça que o projeto contou com um planejamento que não nasce agora. Tem início há cerca de um ano e meio, com o desenho da arquitetura. Ao mesmo tempo, uma migração deste porte exige que as equipes responsáveis respeitem as janelas de migração.

"Um projeto de migração, de ambiente de missão crítica, o grande desafio é fazer o planejamento adequado. E por que das janelas de migração? Você tem que respeitar o tempo deles. Não é trivial você parar o SAP, fazer os testes adequados. A gente não pode parar o negócio. O ERP da SAP é o coração da Malwee, então se você para o ERP, você para o faturamento. Tem que ser muito planejado. O projeto também não termina, porque depois de migrar tudo, a Tivit continua fazendo a gestão", resume Gaspar. Vale ressaltar que o ambiente produtivo e outras aplicações fiscais permanecem on-premise. Toda essa estrutura também tem sido gerenciada pela Tivit.

Do patrocínio executivo às metodologias ágeis

Em projetos de transformação digital, as áreas de negócio e TI devem estar alinhadas, em um movimento de cumplicidade. Gaspar lembra que o CFO, diretor financeiro, da Malwee, é um dos executivos que, inclusive, encabeça o projeto de migração. "Esse é um projeto de negócio, não de tecnologia, por isso a gente vê o CFO assumindo o projeto", resume o executivo. Em sua visão, é o que faz toda a diferença para o sucesso de mudanças culturais e de digitalização dos negócios. Afinal, trata-se de uma mudança que, à primeira vista, pode receber resistência das equipes internas. "Você precisa do patrocínio executivo", pontua Gaspar.

Um projeto crítico como o de migração para a nuvem também tem se beneficiado das chamadas metodologias ágeis. "No processo de metodologia ágil, levamos o cliente para o dentro do projeto", destaca o executivo da Tivit. A companhia se debruçou sobre sprints quinzenais e a formação de squads, com pessoas de TI e da área de negócios para orientar e acelerar a entrega. "Apesar de estar mirando a migração toda em seis meses, o planejamento é feito a cada 15 dias. Fragmenta-se isso de forma muito estruturada", explica.

Transformação digital nunca termina

A decisão de migrar a maior parte da infraestrutura de seus data centers locais busca colocar a Malwee dentro de um cenário mais competitivo. Ao se orientar para a nuvem, a companhia mira uma forma de crescer de maneira sustentável, levando mais agilidade para os processos, além de ter mais economia e governança. "Em uma estrutura como essa, a gente ganha muito mais agilidade, flexibilidade. Você pode subir mil servidores da noite para o dia. Então, o time to market reduz. Eles vão sentir esta agilidade no negócio. Isso é o que o CFO está buscando. Se há um projeto novo, tem que colocar para rodar, eu consigo fazer num estalar de dedos. Em uma estrutura tradicional, você precisa estruturar, ver se tem espaço no data center, senão precisa comprar hardware, fazer cotação, leva muito tempo. Com cloud, você faz isso no dia seguinte e no modelo pay as you go. Ganha-se muita agilidade no negócio", explica Gaspar.

Ao mesmo tempo, com sua infraestrutura em nuvem, a Malwee agora também ganha mais facilidade para adotar novas tecnologias emergentes: blockchain, machine learning e analytics, são algumas. Tendo em vista todo potencial que a nuvem pode entregar ao negócio, Gaspar reforça que a migração é apenas o começo. "Não é o fim, não é nem o meio, é um começo, é um processo longo que a Malwee abraçou e vai render outros frutos", conclui.