Home  >  Inovação

Futuro da saúde será conectado, voltado a dados e, acima de tudo, humano

Presidentes da EY, IBM e SAP estiveram no Healthcare Innovation Show para comentar sobre os avanços e possibilidades do uso da tecnologia na saúde

Mônica Wanderley

20/09/2019 às 9h36

Foto: Divulgação

O mercado de soluções de tecnologia voltado à Saúde está em franca expansão. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Deloitte, estima-se que US$ 280 bilhões sejam investidos na área, que deve comportar um crescimento médio de 16% ao ano até 2021. Ferramentas como machine learning, internet das coisas e conexão ultrarrápida fornecem à empresas, hospitais e mesmo o corpo clínico ferramenta de análise e avaliação de pacientes que prometem revolucionar a prática da Medicina. Com esse panorama em vista, a pergunta que surge é: como os profissionais da área podem se adequar à esta nova realidade?

Líderes do setor de tecnologia se reuniram na edição 2019 do Healthcare Innovation Show (HIS) para discutir mudanças, desafios, oportunidades os avanços em hardware e software podem proporcionar ao setor, que tem como um dos maiores desafios equilibrar aspectos como otimização e redução de custos e um atendimento mais humanizado aos clientes.

Cristina Palmaka (SAP),  Luiz Sérgio Vieira (EY Brasil) e Tonny Martins (IBM) discutiram em um painel mediado por Vitor Cavalcanti (Computerworld/ IT Trends) sobre o impacto da tecnologia na transformação do setor de saúde. A percepção geral é a de que o desafio está muito além da parte operacional e envolve questões como regulação jurídica, gestão e mudança organizacional.

Apesar de trabalhosa,  a tarefa de implementar novas práticas dentro do mercado se mostra válida não só pelas oportunidades de negócio, mas também pela chance de levar serviços melhores e mais inclusivos para uma parcela da população que não conta com fácil acesso a um serviço com mais excelência.  Abaixo, você confere os principais pontos do debate:

Integração de realidades  

Para Vieira, fatores como envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas impulsionam os investimentos realizados dentro do setor, sendo que o uso de dados terá presença fundamental na forma como as doenças e tratamentos são analisados. Essa percepção também é compartilhada por Martins, da IBM. A companhia, aliás, conta com dados que mostram como o uso de soluções de ponta já impacta na rotina das marcas: “Quando uma empresa adota tecnologias disruptivas para mudar a operação, esse processo causa um impacto capaz de afetar de 10 a 15 pontos no Ebitda”.

Tão importante como a criação de novas metodologias é a velocidade na qual elas são implementadas. Segundo Palmaka,  o país conta com muitas das tecnologias que são aplicadas em centros hospitalares espalhados pelo mundo, porém o tempo de integração ainda é muito longo. “O Brasil ficou para trás em aspectos como inteligência artificial e machine learning, especialmente em setores como prevenção e diagnóstico de câncer. Agora é o momento da adoção.”

Novos modelos de gestão 

A integração da tecnologia dentro da rotina de saúde já proporciona impactos no atendimento: segundo Vieira, da EY, existem tratamentos em que o número de testes para o uso medicamentos caiu em 20% com o uso de inteligência artificial, reduzindo custos e otimizando o processo de cura. Porém, o principal desafio que o mercado terá que enfrentar nesse momento de transformação diz respeito ao fator humano.

A presidente da SAP acredita que investimentos em educação aculturamento de médicos e administradores é um passo essencial para que as novas soluções sejam utilizadas de forma inteligente dentro dos hospitais.  “Quando se fala de transformação, a gente sempre pensa em coisas operação, back office etc. Mas de nada adianta ter todas as ferramentas se não existe um gestor que integra todos esses fatores. O uso de modelos de gestão mais modernos, leves e consistentes permite aos líderes criar estruturas melhores de atendimento ao paciente.”

O suporte à educação desse público também é uma bandeira levantada pelo presidente da IBM Brasil. De acordo com Martins, a companhia possui projetos com centros médicos que alcançaram resultados muito relevantes dentro do ambiente clínico, como a redução em 50% dos índices de infecção hospitalar dentro de um parceiro da marca. Mas esses resultados só serão vistos em mais locais por meio de um processo de conscientização: “Tudo começa com um investimento em educação contínua, para que esses profissionais consigam entender como aplicar todas essas tecnologias de forma eficiente em cada um dos casos atendidos”.

Desafios e oportunidades

Na parte final do painel, que falou sobre os principais obstáculos que separam o Brasil de um processo acelerado de transformação digital, as três lideranças concordaram que a questão regulatória é um dos temas prioritários. “No Brasil, eu olho muito a parte de regulamentação como uma forma de simplificar os processos e impactar o uso e acessibilidade destes serviços”, explica Palmaka. O presidente da EY também levantou o fato e ressaltou que, com a LGPD, a questão dos dados também será avaliada com mais rigor e que as companhias que atuam no setor precisam estar atentas para atuar dentro da Lei.

Mesmo com um processo de adaptação que promete ser longo e com bastantes ajustes, o consenso entre os palestrantes é o de que os ganhos serão muito mais superiores do que os problemas gerados por essa transformação. Especialmente, na qualidade de atendimento ao paciente: “Os médico dedicam muito tempo em questões administrativas. Quando essas tecnologias estiverem em funcionamento, os clientes terão mais qualidade tanto no tratamento como em diagnósticos.”

Além de um suporte mais sofisticado, a transformação na tecnologia promete trazer mais inclusão dentro do setor. “Saúde é um dos pontos de exclusão que a gente tem no Brasil e a tecnologia vai ajudar a aproximar essa equalização.", reforça Palmaka "Com recursos como telemedicina, é possível que um médico que mora em São Paulo em qualquer lugar no Brasil,  aplicando seu conhecimento fora dos pólos centrais, tornando a inclusão uma possibilidade para um país com extensões continentais como o nosso. É a materialização da tecnologia em uma das suas formas mais bonitas.”