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Em crise com acionistas, Oi pode negociar ativos financeiros

Em divergências com a GoldenTree – maior acionista da operadora – a alta direção da companhia estaria cogitando vender parte da operação da telecom

Da Redação

18/09/2019 às 15h35

Foto: Shutterstock

A vida está complicada para os integrantes da alta gerência da Oi. Além de lidar com o processo de recuperação judicial da companhia, o board precisa resolver turbulências internas causadas por discordâncias em sua gestão.  Especialmente com a GoldenTree Asset Management, maior acionista da companhia. Há meses, a gestora de investimentos não está satisfeita com as decisões tomadas por Eurico Telles, diretor-presidente da empresa, e pede que a posição seja substituída.

Acontece que o acordo já está firmado, sendo que Telles deve abandonar a operação entre o final deste ano e início de 2020. O problema é que, do ponto de vista da GoldenTree, a transição está demorando demais. A acionista já enviou uma carta ao conselho pedindo que o processo seja otimizado e, ontem, reforçou a solicitação por meio de uma carta aberta enviada à SEC (Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos, por conta de a Oi ter ações na Bolsa americana).

Segundo o documento, “A Oi precisa substituir imediatamente o atual CEO por um profissional experiente, com habilidades e vivência para executar uma grande reviravolta operacional.” A carta ainda reforça a preocupação da GoldenTree com o fato do substituto de Telles ainda não ter sido nomeado, apenas a posição (COO, ou diretor de operações), ser apresentada.

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Além da questão acionária, a empresa também estaria conversando com concorrentes para averiguar uma possível compra da operação de telefonia móvel. De acordo com uma fonte ouvida pelo Valor Econômico, dois membros do colegiado da Oi estiveram reunidos com o presidente do conselho de administração da Telefônica, dona da marca Vivo, Eduardo Navarro. Anteriormente, a venda teria sido discutida também com a TIM Brasil. De acordo com os entrevistados, em ambos os casos não se chegou a um acordo.

No início da semana, o jornal espanhol “El Confidencial”  publicou uma notícia informando que a multinacional Telefónica havia contratado o banco Morgan Stanley para assessorá-la na aquisição de parte dos ativos da Oi. Na terça (17), a Telefônica Brasil informou não ter conhecimento de que sua controladora analisa a compra parcial da Oi. Mas acrescentou que vai averiguar o assunto junto à matriz.