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5G vem aí: como a Qualcomm tem se preparado para a chegada da tecnologia

Suporte para tecnologia de 5G para espaços abertos, uso de IA no mercado de realidade virtual e conexão com carros são soluções já pensadas

Da Redação

16/09/2019 às 16h30

Foto: Shutterstock

Que a tecnologia 5G estará bem presente no nosso futuro, não há muito o que duvidar.  Mas ainda existe um caminho bem longo (mesmo) entre os benefícios que essa forma de conexão promete entregar e todos os perrengues técnicos e regulatórios que precisam ser resolvidos para que ela comece a ser usada pelos usuários.

Enquanto as questões jurídicas são decididas de acordo com cada país, a parte técnica não conta com essa desvantagem e pode, virtualmente, ser criada para operar da mesma forma em todo o mundo. A fabricante de chips Qualcomm é uma das gigantes do setor que tem liderado inovações em 5G em diferentes mercados e setores. Algumas dessas inovações, listamos abaixo.

Tecnologia de bolso

Como acontece durante a adoção de uma nova tecnologia, os dispositivos compatíveis com tecnologia (como o Samsung Galaxy S10 5G) ainda sofrem com quedas bruscas na qualidade de conexão porque a cobertura ainda é bem limitada mesmo em centros urbanos. Até por isso, nesse momento, a aquisição de um equipamento mais moderno só é recomendada para quem quer ser early adopter.

Porém, o próximo ano reserva uma vida melhor para esse público, com mais operadoras de telefonia se comprometendo a instalar torres compatíveis com a conexão — duas das principais marcas dos EUA se comprometeram a disponibilizar nacionalmente a tecnologia até o final de 2020.

Para se preparar a esse novo cenário, a Qualcomm investe em equipamentos que melhorem a performance interior e exterior do 5G. A companhia está desenvolvendo produtos capazes de entregar mais velocidade e em uma distância maior, permitindo que mais pessoas consigam se conectar com a nova tecnologia.

Qualidade até fora de casa

Garantir o desempenho do 5G em ambientes de grande circulação, como estações de trem, aeroportos e estádios, é um dos principais objetivos da companhia da San Diego, que está desenvolvendo equipamentos capazes de garantir conexão de alta qualidade em qualquer espaço dentro de ambientes por meio de pontos de Wi-Fi.

Um dos projetos de destaque nesse sentido é a implementação de um serviço 5G em um centro de convenção em Barcelona com 42 mil metros quadrados capaz de prover a tecnologia em literalmente todos os pontos dentro do espaço.

Casa (e trabalho) conectados

O futuro da conexão está em um mundo sem fios. Com o progresso do 5G, a ideia é que os cabos e mesmo a fibra ótica sejam substituídos por um dispositivo similar a um repetidor de sinal que estará conectado a um satélite e responsável por entregar todas as soluções de conexão que conhecemos, desde Ethernet até o Wi-Fi em si.

A maior novidade da Qualcomm nessa frente é o aumento expressivo no alcance das antenas 5G de onda milimetrada nesses dispositivos, permitindo conectividade em algum lugar entre um quilômetro e uma milha em elevações normais, dependendo de obstruções comuns como paredes e automóveis; distâncias ainda maiores são possíveis em locais abertos.

Realidade Virtual e Aumentada

O mundo da Realidade Virtual (VR) passou por grandes transformações nos últimos anos, apresentando experiências bem melhores do que as dos últimos anos tanto na parte de software (o que é possível “ver” pelos óculos) como na parte de hardware, com aparelhos mais leves e versáteis.

Durante um teste, a Qualcomm fez uma demonstração ao vivo de uma experiência bem mais imersiva utilizando o aparelho. Uma revolução que aconteceu dentro dos escritórios da companhia foi a utilização de inteligência artificial dentro da tecnologia. No futuro, o objetivo é a criação de uma assistente virtual que esteja acoplada aos serviços de VR, tanto em jogos de videogame como em serviços como apresentação e tradução.

Quando se fala de produção do equipamento, a companhia também está com um processo de fabricação bem acelerado. Em parceria com as montadoras, a marca consegue produzir um headset mais customizado em cerca de quatro meses.

O carro também é tech

Como a indústria automobilística trabalha com um calendário de cinco anos à frente, boa parte das melhorias serão sentidas a partir de 2024. Porém, já é possível entender como esse formato de conexão vai impactar o mercado de quatro rodas.

No futuro, será possível abrir carros por meio de scanners de rosto ou digitais e ter sistemas mais modernos de localização e comunicação. Isso sem falar na tecnologia de condução autônoma, que já está em produção dentro da companhia. Tudo, desde comunicações móveis até suas interações com a estrada e outros veículos, serão interligados sem fio, usando uma combinação de veículo para veículo, veículo para infraestrutura, veículo para rede e veículo para pedestre.

IoT na Indústria

A Qualcomm já trabalha em soluções 5G para automação de fábrica que permitiriam que os robôs operassem sem fio em vez de exigir cabos Ethernet. Algo fácil na teoria, mas que se torna bastante intrincado quando se pensa em operacionalizar comandos individuais para cada máquina.

Apesar dessa área não ter um apelo muito forte dentro do público comum, vale lembrar do ganho de tempo (e, consequentemente, dinheiro) que esse mercado pode levantar ao implementar soluções que não precisem de ajustes manuais — como os próprios cabos — e que possam ser reconfigurados em dias, ao invés de meses. Por isso, essa é uma das áreas de maior interesse da marca.

Licenciamento, a questão

Por último, mas não menos importante, vale lembrar que praticamente todos os produtos da Qualcomm são “embalados” dentro de soluções que vão para a casa do grande público (como computadores e smartphones). Por isso, a questão do licenciamento é um ponto importante dentro da estratégia de consumo da companhia.

Em geral, o maior problema enfrentado tanto pela empresa como por concorrentes do setor é chegar a um acordo com as fabricantes finais para garantir que o valor da licença seja grande o suficiente para alimentar injeções financeiras em pesquisa e desenvolvimento. O problema: empresas parceiras brigam muito para reduzir os custos e tornar o produto final mais competitivo.

Dentro da Qualcomm, a estratégia de “segurar” os custos de P&D dentro da sua margem de lucro se mostrou essencial para entrar em novos mercados sem o medo de que sua única compensação seja por chips, que possuem um mercado competitivo bem mais acirrado.

Fonte: Venture Beat