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Dia do programador: mercado busca profissional que entenda do negócio

Estar conectado com o negócio do cliente agiliza entregas. E não é só a rapidez que conta nessa jornada

Por Tarcísio Mello*

13/09/2019 às 11h02

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Foto: Shutterstock

Legenda: programador

Atualmente as metodologias ágeis estão muito em voga nas áreas de desenvolvimento de software. Elas exigem dos times de programadores muito dinamismo para entregar valor ao cliente com mais frequência e rapidez. Essa tendência requer um perfil de desenvolvedor que vai além do profissional que sabe “apenas” programar. É claro que tecnicismos são importantes, ainda mais levando em conta a velocidade de mudanças das tecnologias, mas a nova realidade do mercado busca profissionais que entendam também dos processos que integram o negócio para o qual estão programando.

Por que esse conhecimento é tão importante? Porque estar conectado com o negócio do cliente agiliza as entregas, corroborando com o que vem sendo exigido dos times de desenvolvedores por meio de metodologias como DevOps. Como gerente de uma equipe de desenvolvedores, eu não conseguiria ser eficiente se tivesse que entrar nos mínimos detalhes ao apresentar os requisitos de uma demanda do cliente para o time. Eu gastaria muito tempo com isso e, consequentemente, demoraria mais para fazer a entrega e gerar valor. Se a equipe já estivesse familiarizada, a agilidade seria muito maior.

E não é só a rapidez que conta nessa jornada. Quando o time conhece os processos do cliente, a chance de entregar um produto com mais qualidade é infinitamente maior. Em mais de 20 anos trabalhando como desenvolvedor, tenho várias experiências que mostram como um profissional alinhado com o mercado reduz o índice de insatisfação do cliente e, consequentemente, de retrabalho das soluções. Ao ter que fazer de novo, perde-se tempo (e competitividade) dos dois lados. Aprendi que não podemos tratar nosso time de desenvolvimento interno como se fosse uma fábrica de software.

Somos especializados. Por isso, sempre que vou apresentar as demandas e os requisitos para o time de desenvolvedores, tenho buscado gastar um tempo para contextualizar o trabalho do ponto de vista do negócio para o qual ele se destina. Minha expectativa é que os programadores aprendam sobre os processos do setor agrícola, foco da nossa empresa, e criem a cultura de se informar e se interessar. Quero que eles tenham em mente não apenas a missão de criar um botão em uma tela qualquer, mas que eles saibam como esse botão se insere no processo do cliente e qual o benefício que ele vai trazer para o cliente.

Esse mergulho no mundo do cliente é uma condição ainda mais imprescindível aqueles profissionais que têm ambição de ocupar cargos de gestão. Afinal, o mínimo que se espera de um gestor da área de desenvolvimento é que ele entenda o que o cliente está querendo dizer e qual problema ele quer resolver. Já recebi um elogio de um cliente porque diferentemente de outros fornecedores, eu conseguia entender o que ele estava pedindo. Não tem nada mais recompensador para um profissional saber que seu trabalho foi útil para alguém. Certa vez, em conversa com um usuário de uma solução desenvolvida pela nossa equipe eu tive o privilégio de ouvir: “isso que vocês fizeram mudou a minha vida”.

*Tarcísio Mello é gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Hexagon Agriculture