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Na guerra fiscal entre China e EUA, Apple é quem mais tem a perder

Ainda não diretamente atingida, fabricante terá que modificar seu modelo de negócios para perder menor margem de lucro possível

Da Redação

10/09/2019 às 16h01

Foto: Shutterstock

Desde que Estados Unidos e China declararam uma guerra fiscal de preços, em junho do ano passado, analistas estimavam que a Apple seria uma das empresas que mais sofreria os impactos desse aumento de preços. E não é para menos: praticamente toda a produção da companhia, dos smartphones aos dispositivos móveis, é feita no país asiático.

A companhia trabalhou nos últimos meses para atrasar ao máximo a “chegada” do aumento de preço. E até que se saiu bem: apenas neste mês, marcas como AppleWatch e AirPods começaram entrar na lista de produtos taxados.

Porém, golpe mais crítico para a fabricante deve acontecer no dia 15 de dezembro, quando o governo do presidente Donald Trump promete incluir mais impostos de produtos vindos da China. E, nesse caso, o aumento irá atingir diretamente os produtos da linha iPhone — que representam mais da metade do percentual de vendas da Apple.

Perda de lucro

De início, a empresa vai acabar sentindo o aumento dos preços ocasionado pelas novas taxas. Mas o que não se comenta — e, provavelmente, é o que vai acontecer — é o fato de que a empresa deve assumir os custos do aumento e não repassá-lo aos consumidores. Porém, essa não é uma alternativa capaz de resolver os problemas da empresa.

Partindo do ponto de que a "briga" entre os países seja duradoura, a companhia pode considerar transferir a produção de seus aparelhos para outros países ou buscar um desconto com os fornecedores chineses, visto que ela gera cerca de 3 milhões de empregos na região.

Outra alternativa possível, mas pouco provável, é executar todo o processo de design dentro dos EUA. Isso porque a economia gerada pelas tarifas não seria o suficiente para cobrir outras despesas que acabariam surgindo, como a construção de novas fábricas (algo que leva anos) e um pacote de remuneração mais robusto do que o praticado na China. Em todo caso, as opções ainda se mostram bastante especulativas.

Mudando a rota

A mudança de estratégia que a marca já assinala é a mudança da sua principal fonte de faturamento. Com a diminuição global da compra de celulares, a Apple já percebeu que precisa depender de outros produtos além dos seus iPhones para se manter competitiva no mercado.

Atualmente, a companhia vem investindo pesado em serviços de assinatura, que possuem maior margem de lucro e faturamento mais estável, já que o pagamento costuma ocorrer mensalmente.

No evento que a empresa realizou nesta terça, a Maçã apresentou as informações completas sobre seus serviços de assinatura Apple TV+ (filmes) e  Apple Arcade (games), que custarão o valor inicial de US$ 5 dólares, cada. Em paralelo, já conta com o Apple Music, que possui 28 milhões de inscritos nos EUA, e o Apple News, que dá acesso a mais de 300 jornais e revistas por US$ 9 ao mês.

Futuro incerto

Em um cenário no qual uma decisão presidencial pode reverter todo o panorama econômico, não é possível afirmar com certeza se a empresa fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak precisará de fato “cortar” os lucros enquanto sua nova suíte de serviços não conta com uma base suficiente para se pagar.

E também não se pode esquecer que governos do mundo inteiro (EUA incluso) estão de olho na forma como a empresa apresenta os produtos da concorrência que contam com uma versão própria.  O que pode gerar multas e mudanças significativas para a marca nos próximos anos.

O destino da marca (e de outras gigantes de tecnologia) se mostra bastante difuso no ambiente atual, com novos competidores, tarifas e crescimento de regulações externas. A capacidade de adaptação da companhia (que soube entrar no tempo certo em diversos novos mercados) será testada mais do que nunca nos próximos meses.

*Com  informações da BBC