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Para o consultor Tim Leberecht, líder do futuro precisa ser um romântico

Gestão dos próximos anos precisará ser mais humanizada para se manter competitiva

Mônica Wanderley

04/09/2019 às 17h31

Foto: Shutterstock

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“Preciso começar essa palestra dizendo que eu sou um romântico incurável”, foi a primeira fala de Tim Leberecht durante a Adobe House Experience. Com experiência no mercado de marketing, trabalhando inclusive para o Fórum Econômico Mundial, o palestrante faz parte do time convicto de que, para se manterem competitivas, as empresas do futuro precisam de iniciativas que as aproximem tanto dos colaboradores como dos parceiros e clientes

“Devemos construir empresas que são jardins, não locais de concreto. Eles precisam ser espaços nos quais as pessoas se sintam acolhidas o suficiente para criarem coisas bonitas e úteis”. Como exemplo da importância desse cuidado, o profissional citou a atenção que Steve Jobs, fundador da Apple, tinha ao se preocupar que o design interno dos seus produtos fosse tão intuitivo e clean como a parte exterior.

E como os líderes do presente podem se preparar para essa visão mais humanizada do futuro?  Leberecht apresenta quatro princípios que precisam ser seguidos para quem deseja adotar essa abordagem na vida. São os seguintes:

1. Faça o "desnecessário"

Uma das empresas em que Leberecht trabalhava realizou uma fusão com outras companhias e foi decidido que, para unificar todas as marcas, o logo geral foi mudado para laranja. Durante o planejamento para a festa, houve a ideia de se comprar 10 mil balões laranjas para representar todos os colaboradores que, agora, estão dentro da mesma organização. Mas o CEO achou a ação “desnecessária”, ela foi cancelada.

De acordo com o profissional, a fusão acabou não dando certo. “Não foi por causa de 10 mil balões que esse projeto não deu certo, mas foi a falta de realizar essas coisas ditas desnecessárias. E quando você corta o desnecessário, acaba cortando tudo”.

Para Leberecht, as organizações do futuro precisam ainda mais se preocupar com o bem-estar de seus colaboradores e se manter fiel ao que a empresa acredita. É necessário tem um propósito, se agarrar aos valores e ser autêntico.

2. Fale a verdade

O palestrante ressalta que falar a verdade não significa dizer o que se acredita, mas respeitar o ponto de vista alheio e incluir a verdade dessa pessoa dentro da sua rotina. Partindo para o lado das empresas, a transparência é algo cada vez mais vital para que as companhias mantenham a confiança dos consumidores e, assim, se mantenham no futuro.

Um exemplo dado por Leberecht é o caso do Google Duplex. A tecnologia de assistente de voz, apresentada pela empresa no ano passado, surpreendeu muitas pessoas porque o tom e ritmo de voz do robô ficou idêntico ao de um ser humano, sendo que ele conseguiu replicar padrões de comportamento da nossa fala, como os “humm” e “ahh”. Meses depois, descobriu-se que um quarto das ligações teoricamente feitas pelo Duplex foram realizadas por humanos.

3. Crie intimidade

Leberecht começa esse ponto ressaltando o dado da epidemia de solidão encontrada numa sociedade paradoxalmente mais conectada. Por conta desse “gap” emocional, até existem profissões nas quais as pessoas “alugam” seu tempo para passar com pessoas que não tem alguém para jogar conversa fora. Um reflexo de uma sociedade que não consegue mais tempo para criar relações profundas.

Indo para o lado corporativo, criar essa intimidade, ao ouvir o seu colaborador e criar um ambiente no qual ele possa se sentir acolhido, presente  e aceito, será cada vez mais decisivo para as empresas que, com o mercado da trabalho cada vez mais segmentando, precisarão oferecer mais do que um pacote de benefícios para atrair candidatos.

4. Sofra. Mas só um pouco

A sociedade viu o mundo mudar de forma radical nos últimos anos, sendo que muitas mudanças já impactam no nosso dia a dia. Como em outras esferas, esse período de transformação também chegou no mercado de trabalho.

E muitos líderes, ao enfrentar situações que exigem uma mudança de postura, apresentam uma dificuldade incrível de se adequarem ao novo. Para Leberecht, esse movimento é até compreensível, mas é necessário entender que a nova sociedade irá exigir dos cargos mais altos uma grande capacidade de adaptação. E não é possível se adaptar sem mudanças.