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O que a Amazon está fazendo para embarcar a Alexa no setor automotivo?

Apesar de não ter um sistema operacional para chamar de seu, a companhia aposta no ecossistema da sua assistente de voz para ganhar presença no setor

Da Redação

03/09/2019 às 20h48

Foto: Shutterstock

Com o mercado automobilístico cada vez mais conectado, não é de hoje que as gigantes da tecnologia investem em softwares e hardwares que permitam aos usuários utilizarem nos veículos as mesmas funcionalidades presentes nos smartphones. Apple (CarPlay) e Google (Android Auto) entraram na vanguarda deste mercado, mas logo menos devem receber outra concorrente de peso: a Amazon.

Apesar da companhia não ter um sistema operacional para chamar de seu (já que não possui smartphones), a companhia passou os últimos dois anos trabalhando em recursos e parcerias para que, em um futuro não muito distante, ela também possa estar presente nas estradas.

 

O que já existe

Atualmente, a empresa está utilizando aplicativos (como Ford+Alexa) para habilitar serviços da assistente de voz dentro dos carros, como solicitar rotas. Outras empresas, como GM, Hyundai e Mercedes-Benz, criaram recursos conectados que permitem à IA da Amazon ligar o carro com um comando de voz, além de abrir ou fechar portas e deixar o carro aquecendo durante o inverno.

Na parte de hardware, a empresa lançou o Echo Auto, alto-falante que ouve os comandos de voz dos usuários, conectando-se com o sinal do telefone. A companhia também está trabalhando com outras empresas do setor para  a criação de acessórios utilizados em carros que conversem com ela. Mas, a longo prazo, a companhia quer proporcionar uma experiência bem mais imersiva.

 

Amazon em todo o lugar

Um jornalista da Fast Company foi convidado pela Amazon para testar as funcionalidades do sistema de carros e contou em uma reportagem o que ele já faz. De acordo com o repórter, todo o painel foi remodelado para apresentar as informações mais importantes (como rota e tempo de chegada) próximo do campo de visão do motorista, deixando dados como músicas ou tempo em uma parte mais afastada da tela. É possível utilizar o ecossistema da Alexa para, ainda dentro de casa, já “preparar” o carro, informando rota e possíveis paradas.

Para este mês de setembro, a empresa planeja disponibilizar o kit de desenvolvimento de software (SDK, em inglês) para que o sistema consiga trabalhar mesmo quando não houver conexão, além de ligar as luzes internas. Porém, recursos mais avançados, como utilizar os comandos de voz para ligar o carro e controlar portas ou faróis, ainda estão em desenvolvimento.

 

Briga de marcas

Além da concorrência que já tem mais tempo de estrada, a Amazon terá que enfrentar a resistência das montadoras para conseguir que a Alexa desempenhe todas as funções desejadas.

O motivo do possível banho de água fria está relacionado com a preocupação das fabricantes de que, ao dar muita liberdade para as empresas de tecnologia, elas acabem influenciando muito mais na decisão de compra do que o carro em si. E se tornar dependente de uma empresa externa não é um caminho que essas marcas estão dispostas a seguir.

De momento, a estratégia da Amazon está em oferecer às montadoras a capacidade de combinar todo o potencial tecnológico da Alexa com os recursos exclusivos de cada fabricante. É um jogo que vai necessitar de muito equilíbrio, mas que se torna essencial para a entrada real da companhia nesse meio.

 

Dividindo a pista. E o palco

Chegando atrasada em um bonde que já partiu há alguns anos e ainda precisando realizar negociações mais complexas com as produtoras de carro, como a Amazon espera competir (e até mesmo ganhar) neste setor? A resposta não está nas ruas, mas sim nas casas.

Apesar de Apple e Google dominarem o mercado de smartphones, a Amazon é a dona dos lares. A Alexa, acompanhada dos produtos Echo, está em cerca de 60% a 70% dos lares americanos que possuem smart speakers.

E é neste fato que a empresa está se apoiando para criar uma experiência na qual o sistema do carro consiga conversar com o de casa e vice e versa, otimizando tarefas como acender as luzes, ligar a TV ou até mesmo um eletrodoméstico. O desafio agora é fazer com que o usuário (ou melhor, motorista) possa recorrer à assistente e dar espaço para que a montadora também tenha seu lugar ao Sol.