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Homens, brancos e jovens: o perfil do profissional de TI no Brasil

Estudo divulgado pela ThoughtWorks e PretaLab mostra que a diversidade do setor permanece baixa

Da Redação

30/08/2019 às 14h13

Foto: Shutterstock

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A ThoughtWorks, consultoria global de software, em parceria com a PretaLab lançaram nesta semana o estudo “Quem Coda o Brasil?” realizado com profissionais de tecnologia de 21 estados, incluindo o Distrito Federal.  A pesquisa apresentou dados inéditos sobre gênero, cor, escolaridade, formação, ocupação e renda das equipes de tecnologia das empresas brasileiras.

Segundo a análise, em 21% das equipes de tecnologia do País, não há sequer uma mulher enquanto em 32,7% dos casos não há nenhuma pessoa negra e, em 95,9% das vezes, não havia uma pessoa indígena dentro da equipe de tecnologia dos respondentes.  O estudo revelou ainda que o perfil das pessoas que trabalham em tecnologia é bastante jovem – 77% dos entrevistados estão na faixa etária entre 18 e 34 anos - e concentrado nas capitais do País (65%).

Diversidade ainda é desafio

Ao serem perguntados sobre a presença de pessoas com orientação sexual diferente de heterossexual em suas equipes, 50,4% das pessoas disseram não haver nenhuma em seu ambiente de trabalho.  No quesito inclusão de pessoas com deficiência, a situação está longe de ser diferente: em 85,4% dos casos, não há nenhuma pessoa nesta condição na equipe.

Quanto à condição socioeconômica destes times, mais uma vez o perfil é diverso da média brasileira: mais de 60% apresenta renda mensal domiciliar a partir de 5 salários mínimos, ou seja, R$ 4.770,00 (valor em 2019). Em 69% das equipes, não há nenhuma pessoa com renda mensal domiciliar abaixo de 2 salários mínimos (equivalente à classe E).  A pesquisa pode ser acessada integralmente  na página do PretaLab

"A discussão sobre a diversidade na tecnologia é um dos temas mais urgentes para os negócios. Nesse sentido, a pesquisa nos ajuda a entender nosso cenário e nortear discussões e iniciativas futuras", comenta Juliana Oliveira, recrutadora da ThoughtWorks.

Iniciativas de inclusão

Pensando em fomentar a contração de mulheres negras dentro do setor tecnológico, a PretaLab divulgou durante o lançamento do estudo uma ferramenta que funcionará como uma vitrine de profissionais de TI que pode ser consultada por empresas públicas e privadas.

"Sabemos o quanto a tecnologia pode aumentar desigualdades e apostamos que mais diversidade na produção de tecnologia é um caminho para reverter isso", avalia Silvana Bahia, diretora do Olabi e coordenadora da PretaLab. "Essa ferramenta inédita é um desdobramento de um trabalho iniciado em 2017 com a criação da PretaLab e uma forma de mostrar para o mercado de trabalho que sim, nós existimos!", finaliza.