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Quase 80% da alta liderança tem pouca familiaridade com o mundo digital

Dado foi apresentado pela consultoria Foxize, que realizou teste de cultura digital com 30 mil profissionais em 25 países, incluindo o Brasil

Mônica Wanderley

27/08/2019 às 9h23

Foto: Shutterstock

Em uma rodada de avaliações que envolveu 30 mil profissionais de 25 países (Brasil incluso), a consultoria Foxize descobriu que, entre presidentes e altos-executivos, 78% dos respondentes tinham pouca ou nenhuma ideia sobre como eram conduzidos os negócios on-line.

Fundada na Espanha, a empresa conta com um teste que mede os conhecimentos dos participantes sobre o mundo digital, analisando as informações que o público dispõe sobre áreas como internet e comunicação em tempo real.

Apesar da aplicação do teste ser algo recente no país, ela aponta a realidade de que alguns C-levels  não entendem conceitos mais estruturados de frentes de negócios cruciais para a empresa.  Essa lacuna já começa a ter consequências na carreira: já existem exemplos de profissionais que acabaram deixando posições estratégicas e bem remuneradas por não conseguirem se adequar às demandas da nova economia.

Baixas analógicas

A reportagem feita pel'O Estado de S.Paulo sobre os resultados da consultoria trouxe depoimentos de executivos cujas empresas enfrentaram rotatividade por conta da mudança digital. David Laloum, presidente da agência de publicidade Young & Rubican,  contou que 70% da equipe foi mudada nos últimos três anos, por conta de um movimento adotado pela companhia de se envolver mais em iniciativas que usassem tecnologia e inovação.

Já Alberto Saraiva, fundador do Grupo Habib's, precisou demitir boa parte da antiga liderança do setor de TI: "O meu diretor anterior era um profissional muito bom, mas tinha um pensamento muito analógico", disse o executivo para a reportagem.

Mas  o relatório tem um lado otimista: enquanto apenas o 22% dos diretores e presidentes possuem familiaridade com as novas mídias, esse percentual atinge 74% em posições no nível de gerência. Ou seja: maior proximidade entre as duas áreas pode minimizar as diferenças.

Conectados e precavidos

De acordo com a pesquisa, os profissionais entre 35 e 45 anos são os mais bem avaliados na pesquisa. Isso porque o estudo não mede apenas o quão bem o profissional entende sobre o funcionamento de alguma tecnologia, mas também avalia a noção que a pessoa tem sobre segurança digital e importância de proteger suas informações na web — cuidado que nem sempre existe nas gerações mais jovens.

Para quem ficou curioso sobre como esse teste é construído, o da Foxize disponibiliza uma versão mais curta e em espanhol de diversas avaliações, como cultura digital, Inbound Marketing e E-commerce.