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Por que o estágio não remunerado é ruim para todo o mundo

A prática prejudica o mercado de trabalho como um todo e ainda contribuiu para a desigualdade social

Da Redação

22/08/2019 às 12h36

Foto: Shutterstock

O estágio é um momento importante no período da graduação por dar ao estudante condições para que ele ou ela conheça o universo real da profissão e também aprenda os macetes do mercado de trabalho. Mas, quando essa experiência é limitada apenas para quem conta com melhores condições de vida, as chances de atuar em setores de interesse diminui bastante.

A prática de estágio não remunerado ainda é bem presente nos Estados Unidos e, como aponta esse texto da Fast Company, é prejudicial para o mercado de trabalho local. E mesmo aqui no Brasil, onde a Lei do Estágio garante direitos a que ainda não se formou, sempre existem casos em que as empresas fazem ofertas muito baixas (ou sem retorno algum) usando de argumento a possibilidade de experiência.

Por isso, vale à pena conferir alguns dos pontos citados no texto para entender como esse comportamento mais atrapalha do que ajuda as profissões.

É uma possibilidade apenas para privilegiados

Quando você precisa pagar aluguel, alimentação, contas e mensalidade e contar com a ajuda de pais e familiares não é uma opção, aceitar um estágio não remunerado nem passa pela cabeça dos estudantes. Que, muitas vezes, precisam aceitar tarefas que não queriam porque são as únicas que possuam algum retorno.

Por conta disso, é comum que apenas jovens com um padrão de vida mais estruturado tenham acesso a esse tipo de oportunidade. E, com mais experiência, conseguem fazer escolhas melhores na carreira.  Um paralelo que poderia ser feito com o Brasil é a prática, em alguns lugares, de não cobrir despesas como transporte e alimentação e ainda oferecer um valor muito baixo como remuneração.

Muitos cursos incentivam a prática

Como muitas graduações nos EUA exigem que o aluno faça estágio para se formar, os estudantes acumulam dois ou três empregos, além dos estudos, com o objetivo de cumprir a carga horária.

Outra alternativa é, como no caso das empresas que não oferecem remuneração, quem precisa se desdobrar em trabalhos acaba aceitando empregos que não se identifica, mas que fornecem algum tipo de benefício.

Cria um círculo vicioso

A cultura de não remuneração pode fazer com que todo um mercado de trabalho “se acostume” a receber um valor menor do que o merecido por conta do pensamento de que qualquer valor já é lucro, já que no começo não havia pagamento algum.

Mudanças em ação

Nos últimos anos, empresas que adotavam a prática de estágio não remunerado sofreram diversos processos estudantis que fizeram muitas reconsiderarem a política, seja diminuindo o número de vagas para oferecer benefícios ou mesmo realocando o trabalho. E em alguns setores, como o de artes e museologia, já pressionam o próprio sindicato para proibir essa prática.

Para muitas pessoas, especialmente as que são as primeiras da família a cursarem uma faculdade, ter a opção de receber um salário em troca de aprendizagem e experiência é um fator crucial para que ela consiga ascender de forma econômica. Ao criar medidas que possibilitem essa oportunidade, o mercado acaba, a longo prazo, qualificando e capacitando os profissionais.

 

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