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O dia a dia nada glamouroso de quem treina máquinas para pensar

Repórter do New York Times foi à Índia conhecer o trabalho de quem classifica imagens e objetos para softwares de inteligência artificial

Da Redação

22/08/2019 às 8h34

Foto: Shutterstock

Legenda:

Provavelmente, você já ouviu falar que o futuro será repleto de ferramentas de inteligência artificial que dirigem carros, conectam aparelhos que mostram em segundos resultados de exames que levam semanas para serem processados. É bem provável que a nossa realidade no longo prazo seja assim mesmo. Mas agora, no presente, a realidade dessa tecnologia é muito mais modesta e operacional do que a gente pensa.

Para entender como esse processo é feito nos dias de hoje, a jornalista Rebecca Conway, do The New York Times, viajou à Índia para conhecer a iMerit, empresa que trabalha para clientes de tecnologia e indústria automotiva. Ela emprega centenas de pessoas que analisam vídeos e rotulam imagens que depois serão enviadas para sistemas de inteligência artificial, que usaram as infos para apresentar dados ou soluções melhores aos usuários.

Até recentemente, a maioria da população desconhecia que as soluções de IA usadas hoje estão longe de funcionarem de forma correta sem o auxílio de seres humanos para apontar qual tarefa precisa ser executada ou a ação que ela deve realizar em determinada situação. Mas as denúncias de que empresas de tecnologia empregavam um batalhão de gente para ouvir gravações e melhorar as respostas dadas pelas assistentes de voz fez com que essa “profissão” ganhasse os holofotes.

Em reportagem, a jornalista conta um pouco de como é a rotina dos profissionais que colocam a mão na massa nesse setor.

Baias a perder de vista

Os escritórios da iMerit lembram muito os espaços de operadoras de telemarketing ou processadoras de pagamento, com baias que delimitam os espaços e pouco contato visual.

Aprendizagem envolvida

Dependendo do que se está rotulando, o trabalho pode ficar mais ou menos interessante. Uma profissional com quem Conway conversou passou dias em conferência com médicos para aprender a identificar e sinalizar órgãos que poderiam estar com alguma espécie de doença.

Atividade flexível

Além dos postos de trabalho, também é possível trabalhar com rotulagem de dados dentro do esquema de home office. O pagamento se dá pelo total de arquivos rotulados e se ganha poucos centavos por cada arquivo.

Boa rotina, dependendo do que se analisa

Dentro da Índia, essa atividade é vista como uma possibilidade de ascensão para as classes mais pobres. No escritório que Conway visitou em Nova Orleans, as condições de vida dos trabalhadores foram classificadas pela jornalista como “bem decente”.

O problema está quando o trabalho envolve prevenção a conteúdo de ódio ou tem teor médico. Tanto as imagens de órgãos como cenas de violência e assédio que os rotuladores precisam assistir para fazer o seu trabalho podem ser bem pesadas dependendo do conteúdo.

Mercado aquecido

O mercado de rotulagem de dados passará de US$ 500 milhões em 2018 para US$ 1,2 bilhão em 2023, de acordo com a pesquisa da empresa Cognilytica. E é importante frisas que esse trabalho ainda é vital para o desenvolvimento da tecnologia de inteligência artificial: 80% do tempo gasto em projetos do gênero é consumido classificando objetos e pessoas.