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‘Desenvolvedores, estejam preparados para a era quântica’, alerta IBM

Para Chief Developer Advocate na IBM, desenvolvedores precisam se atentar a kubernetes. Mas é no horizonte da computação quântica que precisam mirar

Por Carla Matsu

21/08/2019 às 17h54

Foto: Carla Matsu

Para Willie Tejada, General Manager e Chief Developer Advocate na IBM, a formação acadêmica tradicional em tecnologia não tem dado conta de acompanhar o ritmo e a demanda do mercado sedento pela digitalização. Só no Brasil, há cerca de 400 mil postos em tecnologia abertos e o déficit de talentos no setor criou um verdadeiro senso de disputa entre as empresas que buscam inovar.

Em um oásis de talentos em tecnologia, empresas também correm para preencher a lacuna de habilidades que enfrentam para crescer seus negócios. Recentemente, a IBM conclui a Maratona Behind the Code, uma iniciativa inédita da companhia, realizada em parceria com a IT Mídia, para recrutar não só desenvolvedores Brasil afora, como também para educá-los em tecnologias emergentes como inteligência artificial, machine learning, blockchain e internet das coisas. Tejada esteve no Brasil para o desafio final da Maratona que aconteceu durante o IT Forum+, na Praia do Forte (BA).

Em entrevista exclusiva ao IT Trends, o executivo destaca que uma das coisas "mágicas" em ser desenvolvedor diz respeito à própria formação e educação, muitas das vezes autodidata. "Não há nenhuma outra profissão, onde você pega os melhores graduados de uma universidade, como o MIT, Stanford ou USP, onde você pode se sentar lado a lado com alguém que aprendeu sozinho. Ambos podem contribuir no mesmo nível e, em alguns casos, a pessoa que se ensinou pode até mesmo gerar mais impacto. Você não faz isso em uma profissão em áreas como medicina, engenharia ou direito. É isso que torna o desenvolvedor algo tão único", ressalta.

Em sua carreira, Tejada soma mais de 20 anos em tecnologia, já tendo liderado áreas de marketing, desenvolvimento e gerenciamento de produto tanto para startups como para grandes empresas em transformação. Na IBM, é responsável pela área de Developer Ecosystems Group, tendo contato próximo com os desenvolvedores. O executivo reconhece que uma das inquietações dos desenvolvedores e desenvolvedoras diz respeito à própria formação. Afinal, entre tantas tecnologias disponíveis, existe alguma que deve ser priorizada? Tejada é enfático ao dizer que desenvolvedores precisam se orientar para lidar com kubernetes, o sistema de orquestração de contêiners open-source.

"Se você pensar, toda indústria tomou uma decisão de que kubernetes é a plataforma, essencialmente, onde as aplicações irão rodar no futuro. Nós nunca tivemos isto na história da indústria. O mais próximo que chegamos foi Java", ressalta ele lembrando que a ascensão da adoção do kubernetes foi uma das principais razões que levou a IBM a comprar a Red Hat.

Tudo será alimentado com IA

Mas há outras áreas que são mandatórias em sua visão. Ciência de dados e inteligência artificial são duas delas. "Ciência de dados antes, porque dados são o combustível que alimentará a inteligência artificial e a inteligência artificial estará, basicamente, no coração de tudo que a gente fará", reforça. A ascensão da inteligência artificial nos negócios e nas aplicações que chegam no dia a dia dos consumidores só aumentará a demanda por profissionais nestas áreas. "São esses desenvolvedores que construirão a próxima geração de apps alimentados com IA", destaca Tejada.

O executivo da IBM aconselha desenvolvedores também aprenderem Blockchain, e reforça uma tecnologia que está no horizonte da revolução dos negócios. "Eu vou usar o termo quantum ready", diz Tejada.

"Enquanto a computação quântica, de um ponto de vista comercial, ainda está longe de ser aplicada em escala, não temos mais aqui uma questão de 'se' e sim quando ela chegará. Então, é importante que os desenvolvedores estejam prontos", alerta. Segundo o executivo, a IBM tem também investido em educação básica para computação quântica.

Por fim, Tejada reforça que todo o movimento de novas tecnologias também recai e cobra dos CIOs que, segundo ele, estão transacionando de compradores para serem “construtores”.

“A disponibilidade da tecnologia através do open source, o acesso dos desenvolvedores às tecnologias tem permitido construir soluções do zero e os CIOs agora não são só perguntados sobre as plataformas que estão buscando comprar, mas se eles mesmo estão assumindo a responsabilidade sobre a inovação e é o exército de desenvolvedores que irá facilitar isso”, conclui.