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SoftBank fará empréstimo aos funcionários para investir em novo fundo

Meta da empresa é bancar parte dos US$ 108 bilhões estimados para o Vision Fund 2

Mônica Wanderley

19/08/2019 às 16h17

Foto: Shutterstock

Para a formação de seu segundo fundo focado em startups, a SoftBank planeja emprestar dinheiro do próprio bolso a funcionários de escalões mais altos para que eles também possam participar da nova rodada de investimentos.

O Vision Fund 2 tem previsão de reunir US$ 108 bilhões de empresas que desejam investir (e mais tarde, lucrar) em companhias novatas com grande potencial de crescimento. Marcas como Apple e Microsoft já confirmaram que estão envolvidas na formação do VF2, bem como o próprio SoftBank, que deve contribuir com US$ 38 bilhões para o montante.

Dentro desse total, estima-se que US$ 15 bilhões serão emprestados para colaboradores.  Segundo o Financial Times, boa parte desse dinheiro sairá do bolso de Masayoshi Son, fundador da companhia.

Arriscando a própria pele

Segundo especialistas da indústria, a prática não é incomum no meio, já que serve como uma prova de que os executivos responsáveis por gerenciar o fundo acreditam tanto no seu sucesso que “se arriscam” financeiramente dentro dele. O que é notável, no entanto, é o percentual que será investido pela companhia, bem maior do que a média de 5%.

O investimento seria feito por meio de ações preferenciais e protegeria os funcionários e a organização de potenciais quedas de rentabilidade, assegurando um fluxo constante de receita de dividendos.

O empréstimo também ajudaria o banco a demonstrar ao mercado a sua confiança no projeto em construção, que promete valores de retorno similares ao anterior.

No primeiro fundo, recebeu-se uma proporção fixa da divisão entre ações diretas e ações preferenciais, que ofereciam um cupom anual de 7% sobre os 12 anos de duração do fundo. Já no segundo, os participantes poderiam angariar um retorno maior ou menor do que 7%, dependendo do tamanho da porção de ações.

Em busca de novos parceiros

Apesar do seu primeiro megafundo ter alcançado sucesso, a companhia japonesa está com problemas para convencer novas firmas a embarcarem na empreitada. Parte do problema está na desconfiança do mercado com relação à escolha dos negócios priorizados por Son. Em especial, ao WeWork, que já recebeu investimentos consideráveis  e ainda não obteve o retorno esperado.

Outro ponto mais sensível na negociação é a relação da companhia com a Arábia Saudita. O fundo soberano no país contribuiu para US$ 45 dos 100 bilhões coletados no VF1, e deve colocar em torno de US$20 a US$ 30 bilhões no segundo projeto. Porém, a proximidade não é bem vista pelo mercado, por conta do regime autoritário imposto no país e uma crise com os Estados Unidos desde a morte do jornalista Jamal Khashoggi, em outubro passado.

Nos últimos meses, o próprio SoftBank atuou de forma proativa na captação de novos parceiros de negócios que pudessem investir altas somas em seu novo fundo, mas ainda não fechou nenhuma proposta comparável com a da Arábia Saudita.