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Estes são os 5 desenvolvedores que venceram a Maratona Behind the Code

Final da competição da IBM aconteceu durante o IT Forum+, onde reuniu 100 desenvolvedores. Vencedores conhecerão laboratório da IBM em São Francisco

Carla Matsu

19/08/2019 às 22h49

Foto: Divulgação

Levou cerca de duas horas para o estudante Yuri Nunes, de 26 anos, completar o desafio final da Maratona Behind The Code que o colocou como primeiro colocado na competição que agora o levará para conhecer o Watson Experience Center, em São Francisco, (CA). "É surreal", me conta desacreditado sobre a sensação de ter vencido. "Eu não tinha a mínima perspectiva de que isso ia acontecer", completa ele dizendo que, por pouco, não desistiu da maratona. Mas mudou de ideia quando viu que, depois de submeter o quinto desafio, ficou entre os 100 primeiros colocados: "pensei, vou dar uma chance", lembra.

Yuri estava entre os 100 desenvolvedores que se reuniram na Praia do Forte (BA) neste último final de semana para a Maratona Behind the Code, uma iniciativa inédita da IBM, realizada em parceria com a IT Mídia. Durante 42 dias, estes 100 desenvolvedores se comprometeram em realizar uma série desafios recorrendo às tecnologias da IBM Cloud, incluindo aí ferramentas de reconhecimento visual, linguagem natural, machine learning e blockchain.

Cada desafio foi pensado e desenvolvido em conjunto com patrocinadores da competição a partir de dores ou oportunidades de negócios dessas companhias. Os patrocinadores GPA, FIAP, Unijá, Boticário, BRF, Ingram Micro, Banco Original e Saint Paul assumiram os oito primeiros desafios. Já o Banco do Brasil e a Red Hat encerraram a maratona com a última prova: criar uma solução de apoio ao pequeno e médio produtor usando tecnologias de reconhecimento de imagem e internet das coisas, com dados obtidos a partir de sensores e imagens.

Jair de Souza, Analista de TI do Banco do Brasil, explica que a escolha do desafio do Banco do Brasil mira no potencial da Internet das Coisas para um dos principais clientes do banco. "Estamos muito de olho na Internet das Coisas. O setor de agro é um dos mercados onde mais dominamos. Um dos motivos da nossa experimentação é importância do setor para o banco. Estamos neste trabalho de visitar fazendas e ver que tipo de tecnologias já existem no campo e a partir disso estamos buscando soluções", explica. E o quão difícil é resolver o desafio proposto? "É bastante complexo fazer algo nesse sentido no tempo que foi dado. O mais difícil é correr contra o relógio nessa maratona, mais do que codificar o desafio em si. Eles também tiveram que estudar diversas ferramentas que eles não usam costumeiramente, então é um desafio muito grande", destaca Wagner, gerente de soluções do Banco do Brasil.

Devs de norte ao sul do Brasil

Cerca de 27 mil desenvolvedores se inscreveram para participar da Maratona Behind the Code. Os inscritos representavam os 18 estados brasileiros e, entre os 100 do ranking, havia jovens estudantes a partir de 16 anos. Quanto às mulheres, apenas oito estiveram na etapa final.

"Quando desenhamos a primeira fase virtual, a gente sabia que estava dando um tiro no escuro, mas o resultado não poderia ter sido melhor. Ter os 18 estados aqui, a gente vê que quantos talentos temos e não são tocados em nenhum momento", destaca Jeni Shih, Business Transformation & Operations Cognitive Solutions para América Latina e líder da Maratona Behind the Code.

A final, com os 100 devs, aconteceu durante o IT Forum+, evento que reúne o setor de TI na Praia do Forte para discutir tecnologias e negócios. Sentados, um ao lado do outro, os desenvolvedores tiveram que ignorar todo o entorno para se concentrar em completar os desafios e a ansiedade. "Pessoal, ninguém ainda completou a segunda etapa", soltou ao microfone Sérgio Gama, Senior Developer Advocate Leader da IBM, na tentativa de apressar os desenvolvedores. Em uma das mesas, é Yuri que levanta a mão, dizendo: "Estou fazendo o deploy". Pouco depois é seu nome que se destaca, em primeiro, no telão.

Além de Yuri, outros quatro desenvolvedores completaram o ranking que garantia o prêmio maior da competição: uma semana com tudo pago em São Francisco, Califórnia, para conhecer o Laboratório Watson da IBM.

- Você conhece São Francisco?, pergunto a Yuri.

- Não, eu nunca saí do Brasil, responde o estudante que está fazendo o Doutorado na UFRN, em Natal.

Abaixo, você pode conhecer um pouco mais da história dos cinco desenvolvedores que venceram a Maratona Behind the Code

1º Lugar

Yuri Thomas Pinheiro Nunes, de Natal, Rio Grande do Norte

"Ciência pela ciência não é produtiva"

Aos 26 anos, Yuri nunca deixou de lado a vida acadêmica. Da graduação, engatou o Mestrado e agora se encontra no Doutorado em Engenharia da Computação, com foco em tratamento de dados. A escolha de estudar tecnologia, me conta, foi algo, no fundo de cunho prático: "Eu não gosto muito de lidar com pessoas", resume ele aos risos tímidos. "Quando eu era criança, eu pensava que não queria trabalhar em nada que tivesse de lidar muito com pessoas, pensei, o que eu posso fazer? Trabalhar o dia todo no computador", completa. "Mas até que você está indo bem nesta entrevista", digo a ele."São 26 anos de prática", brinca.

Da Maratona, soube por uma amiga no laboratório na universidade. Resolveu apostar depois que viu que ficou entre os 100 primeiros. "Eu achei uma grande oportunidade para mostrar a tecnologia, mostrar que as ferramentas de inteligência artificial não estão tão distantes de um produto e são facilmente implantáveis". Ao mesmo tempo, ajudou a ter uma noção de mercado que, no dia a dia não encontra na universidade. "Acredito que a ciência pela ciência não é produtiva. De maneira positiva, me colocar dentro do mercado me faz ver as necessidades da sociedade que precisam ser melhoradas em termos de tecnologia", reflete.

Bolsista na universidade, Yuri não se encontra no mercado de trabalho, mas pensa que isso mudará quando entregar a dissertação. "Eu sempre quis ter a experiência de ser professor", conta ele. "Mas estou numa situação de que hoje estou mais aberto às oportunidades do que eu estava durante o mestrado. Quando eu terminar o doutorado, se eu tiver a oportunidade de trabalhar para uma grande empresa, eu vou. Mas não vou querer deixar a pesquisa de lado", conclui.

2º Lugar

Jefferson Henrique Camelo Soares, de Teresina, Piauí

"Estar entre os 100 me motivou"

Jefferson mal podia se conter de felicidade quando o seu nome subiu para a 2ª posição no ranking da Maratona exibida no telão. Para a nossa conversa, chegou ainda eufórico. "Chegar aos 100 já foi muito gratificante e ficar entre os cinco, é indescritível", conta.

Foi na cidade natal, Teresina, no Piauí, que Jefferson descobriu que a tecnologia podia ser transformadora. Foi o simples contato com um computador do tio que era arquiteto que viu que o meio poderia se tornar uma carreira. "Eu sempre achei fantástico, quando era pequeno, apertar um botão e aquilo fazer alguma coisa. Então eu sempre tive esse sentimento 'quero criar meu próprio botão'", lembra ele aos risos. "Depois, na oitava série, me interessei muito pela questão de segurança, e aí vi um tutorial de como fazer seu próprio Trojan e fui aprendendo sozinho a programar", revela.

Com 27 anos, Jefferson conta com um mestrado em Machine Learning no currículo e atualmente trabalha na Secretaria da Fazenda no estado. Para ele, a metodologia da competição da maratona foi um dos recursos que o motivou. "Eu fui fazer o primeiro desafio, porque eu já queria conhecer mais sobre o Watson Assistant e quando entrei no ranking, no primeiro desafio, isso já foi me motivando a fazer. Nos últimos, eu fui ficando no top 5 e isso me motivou", conta.

3º Lugar

Carlos Pavanetti do Prado, de São José dos Campos, São Paulo

"Estava confiante, mas não tinha como garantir estar entre os cinco primeiros"

Aos 24 anos, Carlos está concluindo o curso de Ciência da Computação na Unifesp, em São Carlos. Soube da maratona por um colega de trabalho. Estar entre os 100 melhores desenvolvedores no ranking motivou ele a continuar até o final. Tímido, ele diz: "estava confiante, mas não tinha como garantir estar entre os cinco primeiros".

Através da maratona, conseguiu aprender sobre muitas tecnologias e a que mais lhe chamou a atenção foi o Watson Assistant. "Achei muito interessante a possibilidade de criar um próprio assistente virtual".

O pai, engenheiro mecânico, foi quem o incentivou e o apoia a seguir a carreira em tecnologia. Para o futuro, ainda não decidiu qual área irá focar, mas disse despertar seu interesse em tudo, de desenvolvimento full stack à inteligência artificial.

4º Lugar

Rafael Gomes da Silva, de Goiânia, Goiás

"Nunca pensei em desistir, mas nunca achei que teria chance"

Natural de Goiânia, aos 23 anos, Rafael está fazendo a graduação em Ciências da Computação. Depois de passar pela maratona da IBM, viu na inteligência artificial e ciência de dados algo que não só o instigou, como também poderá guiá-lo em uma carreira.

"Pude aprender várias tecnologias que nunca tinha mexido e como elas podem ser aplicadas no mercado, deu para ver na prática", resume.

Sobre os desafios, ele diz que nunca pensou em desistir, mas chegar aos top cinco foi uma surpresa. "Nunca achei que teria chance. Nem achei que fosse entrar para os 100", confessa. Rafael ainda tem um ano em frente na graduação, mas depois de passar por toda a competição diz que se sente mais preparado para o mercado de trabalho.

5º Lugar

Vitor Cezar de Lima, de Raul Soares, Minas Gerais

O legal da tecnologia? O poder de automatizar

Vitor Cezar deixou a cidade natal, Raul Soares (MG), com seus 24 mil habitantes, para se enveredar pela área de tecnologia em Belo Horizonte. É lá, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que, atualmente, faz mestrado em Ciência da Computação, com foco em biometria em visão computacional.

Aos 23 anos, Vitor pensa em concluir o mestrado, mas busca também conduzir sua carreira no mercado de trabalho. Sobre os desafios que mais gostou, ele aponta o último: "Foi o mais difícil".

Para ele, a tecnologia é transformadora, mas o que lhe fascina é seu caráter prático e produtivo.

"O mais legal da tecnologia é passar para o computador o que está na sua mente, é você automatizar o que você pensa. A vantagem do código é você automatizar um bocado de coisa e colocar o computador para rodar. O legal é isso", resume.