Home  >  Negócios

6 motivos para não querer um mundo que só aceita pagamento em cartão

Problemas para a população, taxas mais altas e possíveis falhas de segurança são alguns dos pontos abordados por analista político

Da Redação

15/08/2019 às 18h39

Foto: Shutterstock

Desde que a Amazon apresentou ao mundo a Amazon Go, loja conceito na qual os usuários podem pegar os produtos sem a necessidade de enfrentar filas e caixas, o desejo de muitas pessoas é que esse tipo de loja se torne o padrão. Mas o que não se percebe é que esse tipo de estabelecimento não oferece um serviço que possa ser usado por todo o tipo de cliente.

Pelo menos essa é a percepção do analista político Jay Stanley, porta-voz da ONG União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) conhecida pela defesa e preservação dos direitos civis. No artigo escrito por ele e adaptado pela revista Fast Company, Stanley explica que uma sociedade na qual o dinheiro não é aceito apresentaria problemas bem complicados.

Futuro sem dinheiro? Melhor não

Para explicar melhor suas principais críticas sobre um modelo único de pagamento, o profissional apresentou seis motivos que tornam as lojas que não aceitam dinheiro prejudiciais à economia:

  • Coletam dados: ao fazer compras apenas com o cartão, companhias têm acesso ao histórico completo de gastos e movimentação financeira das pessoas. Com informações tão estratégicas e uma legislação que ainda não consegue acompanhar os avanços da tecnologia, as empresas teriam margem para adotar práticas de consumo potencialmente prejudiciais.
  • Não atendem ao público desbancarizado: de acordo com Stanley, 1 a cada 15 lares americanos não possui acesso aos serviços bancários. Ao adotar apenas o cartão como pagamento, essa parcela da população não teria como realizar compras nesses estabelecimentos, mesmo que eles ofereçam preços melhores
  • Segregam populações: segundo o sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (uma espécie de Banco Central), apenas 52% dos americanos que se identificam como negros possui total acesso aos serviços bancários. Quando se trata do público de ascendência latino-americana, o percentual cresce um pouco, indo para 63%. Já para a população branca, o número alcança 84%.
  • Impedem o consumo por pessoas sem documentos: esse ponto atinge especialmente imigrantes ilegais. Que, na falta de documentação que permita abrir uma conta, ficariam impedidos de comprar mantimentos em lugares que não aceitam outra forma de pagamento do que cartão.
  • Aumentam os custos dos comerciantes: pagamentos em cartão já consomem uma parte do valor pago pelo consumidor. Sem o dinheiro como balizador, existe a possibilidade de as operadoras aumentarem a porcentagem arrecadada.
  • Apresentam riscos tecnológicos:  desde os mais simples, como uma queda de energia que desligue as máquinas e impeça as vendas, até casos mais delicados. Por exemplo: o que acontece caso uma conta se invadida e o serviço decida deletar o usuário? O processo para a recuperação da identidade (e do serviço ou produto oferecido) poderia ser demorado, limitando o acesso do consumidor.

Vai pagar como?

A preocupação com os potenciais problemas decorrentes de uma sociedade sem dinheiro é compartilhada por outras pessoas e organizações. Tanto que a empresa de Jeff Bezos já informou que irá aceitar outras formas de pagamento além de cartões nas unidades da Amazon Go.