Home  >  Carreira

Ter um CEO extrovertido é positivo para a empresa? Nem sempre

Foi o que descobriu uma pesquisa realizada na Universidade de San Diego

Mônica Wanderley

14/08/2019 às 8h00

Foto: Shutterstock

Competência, experiência em gestão e um olhar para identificar tendências do mercado são algumas das habilidades necessárias para ser um bom CEO. Mas existe outro fator que, apesar de não ser obrigatório, costuma causar uma opinião mais positiva dentro e fora da organização: o carisma.

No nosso imaginário, um chefe mais extrovertido consegue trazer resultados mais positivos tanto para a empresa, por se engajar mais em discussões, como para si mesmo, sendo convidado para participar de eventos ou integrar conselhos. Mas será que uma liderança “mais aberta” realmente traz apenas benefícios ao negócio? Tentando responder essa pergunta, a professora Biljana Adebambo, da Universidade de San Diego, conduziu uma pesquisa tomando como base as declarações de CEOS de empresas de capital aberto.

A equipe coordenada pela professora utilizou um algoritmo de linguagem que analisou 76,815 transcrições de conferências de balanços de 1.936 empresas listadas no S&P 1500, entre os anos de 2004 e 2013. A amostra final verificou as declarações de um total de 1.870 CEOs. Com as informações, foi criada uma “classificação da extroversão”, que associava as declarações dos C-Levels com custo de capital ganhado ou perdido pelas companhias durante a sua gestão. O custo de capital é uma ferramenta que mede a saúde financeira das empresas e é utilizada pelos investidores para avaliar um negócio.

No final da análise, foi verificada uma variação de 0,35% no custo de capital ao ano para cada variação no padrão de extroversão. E, apesar dessas companhias contarem com um capital organizacional mais alto, elas tendem a apresentar menor valuation e emissão de ações. Muito por conta, o estudo pondera, dos comentários feitos pelo líder, que podem gerar insegurança no mercado.

Um exemplo que ficou marcado pelo mercado foi o comentário feito no ano passado por Elon Musk, CEO da fabricante de carros Tesla, pelo seu perfil no Twitter. Na ocasião, ele informou que havia chances de tornar a companhia uma empresa privada novamente, recomprando as ações disponíveis na Bolsa. O preço dos papéis ter oscilado de forma constante e Musk teve que prestar contas à SEC, órgão que regula as ações das empresas nos EUA. Como resultado, acabou perdendo sua posição de chairman no conselho da companhia e ainda precisou se comprometer a ser mais “contido” nas redes sociais.

A lição tirada pelo estudo é que, apesar dos CEOS mais abertos terem chances maiores de motivar a equipe interna e também atrair novos negócios, também é preciso considerar os riscos que uma contratação do tipo pode acarretar.