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5 perguntas para o CEO: Eduardo Almeida, da Unisys

Em entrevista, VP e General Manager da Unisys na AL fala sobre tendências em segurança e expectativas para o segundo semestre no Brasil

Luiz Mazetto

07/08/2019 às 14h00

Foto: Divulgação

Desde outubro de 2017 no comando das operações da Unisys no Brasil e na América Latina, o executivo Eduardo Almeida possui ampla experiência no mercado de tecnologia, incluindo uma passagem de destaque pela Cisco, onde atuou por quase 20 anos.

Na entrevista abaixo, o VP e General Manager da Unisys na AL fala sobre os aprendizados da sua carreira, os bons resultados recentes da companhia, o foco cada vez maior da empresa no segmento de cibersegurança e as expectativas para o segundo semestre de 2019 no Brasil, entre outras coisas.

Computerworld Brasil: A mais recente edição do estudo Unisys Security Index aponta que 42% dos brasileiros se dizem extremamente (15%) ou muito confiantes (27%) com a proteção trazida pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). E como estão as empresas brasileiras, já preparadas e cientes da importância da nova lei?
Eduardo Almeida: A minha opinião é a seguinte, tenho falado sobre o tema em outros países da América Latina. Existe ainda muita duvida sobre a LGPD. As empresas maiores já começaram a se mexer, a identificar áreas potenciais para criar melhores práticas, para resguardar informações. Os grandes bancos, por exemplo, já estão avançados. Mas as pequenas e médias empresas praticamente não tem nada. Sem generalizar, mas as observações em diferentes indústrias levam a uma preocupação sobre a LGPD como estratégia.

CW: Falando em segurança, esse passou a ser o foco principal da Unisys nos últimos anos. Como avalia essa nova fase, digamos, da empresa? 2018 marcou o primeiro ano que a Unisys registrou um crescimento anual acumulado desde 2003.
Eduardo: Realmente a empresa vinha em uma situação de necessidade de melhoria dos seus indicadores de performance e teve um turning point no último ano. A Unisys não apenas atendeu às expectativas dos seus clientes. Tradicionalmente, a gente sempre teve um índice de satisfação bem alto, acima da média do mercado. E, como todo mundo, tivemos de nos reinventar. Quando falamos de grandes tendências, como aplicações na nuvem, houve uma evolução natural de infraestrutura de rede. Você tem o conceito de desenvolvimento de aplicação na nuvem, a migração das aplicações para nuvem. E isso tudo fez com que a Unisys redesenhasse.

Hoje dizemos que somos uma empresa de software orientada para serviços. Isso foi realmente um redesenho da estrutura da empresa. Antes a computação era o nosso core business, vínhamos da época do mainframe e tivemos uma serie de inovações. Quando desenvolvemos os primeiros mainframes lá atrás, talvez o principal atributo deles fosse a resiliência, além do alto poder de processamento. A segurança, na verdade, é parte do nosso DNA, da nossa herança.

Um ponto importante de inflexão para a Unisys talvez seja a entrada em algumas aplicações de negócios. Diria para você que a Unisys evoluiu o seu negócio, e hoje os clientes não esperam apenas os serviços tradicionais, como sempre aconteceu, mas também serviços avançados, que vão nas aplicações de negócios na nuvem, por exemplo. Para nós, isso é muito gratificante, já que mostra que a empresa realmente teve uma transformação.

CW: Já que estamos no assunto, gostaria de voltar ao estudo, que aponta que 85% dos brasileiros já foram vitimas de ciberataques ou conhecem alguém que foi. A partir disso, quais as principais tendências tecnológicas em ciberseguranca? Quais as tecnologias/mudanças que vão impactar o segmento nos próximos anos?
Eduardo: A gente entende que houve uma evolução natural dos sistemas de informação. Antes se fazia uma proteção de board, hoje todos os dispositivos tem que estar intrinsecamente seguros.  Não basta ter um computador com antivírus, um firewall de entrada. É preciso ter um sistema com Inteligência Artificial para prever as ameaças. Os dispositivos vão estar cada vez mais presentes na vida das pessoas, e cada vez mais disponíveis com mecanismos de segurança da informação, seja um smartphone, tablet, PC ou rede corporativa.

E a criptografia também vai estar cada vez mais presente. Todo mundo tem que prover o mínimo – enxergamos isso como uma tendência. O que estamos vendo com essa crescente preocupação? Deverá piorar esse numero - e por uma razão simples: os dispositivos estão cada dia mais presentes na vida das pessoas. Faz parte do progresso ter uma certa preocupação com a fragilidade do sistema que nos protege dos hackers. Quanto mais a TI estiver presente na vida do cidadão, mais suscetível ele vai estar e mais preocupado.

CW: Você já possui mais de 20 anos de atuação no mercado, tendo ficado na Cisco por aproximadamente 19 anos. Qual o principal/principais aprendizados desses anos todos e como essa experiencia te ajuda a comandar o dia a dia da Unisys?
Eduardo: Olhando a minha própria experiência, pude participar de momentos em que a TI estava começando. Estamos falando aí de 20, 25 anos atrás. O momento era incipiente, era o momento de vender switches, roteadores e firewalls. Desde que me formei em tecnologia, nunca deixei de estar na área. Faz parte da minha cultura, do meu DNA, ter uma certa curiosidade por tudo que é tecnologia.

E como isso me ajudou? Me ajudou da seguinte forma: talvez trazendo uma visão analítica do negócio, interpretando muito rapidamente diferentes cenários. E também em fortalecer uma habilidade de me relacionar com as pessoas, uma vez que estamos falando de uma área apaixonante, com vários eventos, em que você tem uma infinidade de pessoas com perfis diferentes, com interesse em usar a tecnologia de forma diversas.

CW: Como foi o primeiro semestre para a Unisys e quais as expectativas para a segunda metade aqui no Brasil? O país é o segundo mercado, atrás apenas dos EUA, certo?
Eduardo: O primeiro semestre não foi um semestre de crescimento substancial, foi muito parecido com o primeiro semestre de 2018, sem grandes fatos. Tivemos bons negócios, renovações, expansões. Foi um primeiro semestre flat comparado ano sobre ano. Ainda assim, conseguimos realizar o nosso outlook, a nossa projeção. Conseguimos entregar, e isso é muito bom.

Do ponto de vista do segundo semestre, estamos mais otimistas. A questão de reforma da previdência, como uma forma até de dizer ao mercado externo que o Brasil esta preocupado com a sua lição de casa. A reforma fiscal, essas grandes reformas ajudam muito a gente, enquanto empresa multinacional no Brasil a idealizar projetos que são relevantes para nós. Olhando para frente, o futuro é sempre melhor que o passado, estamos animados com o próximo ano. Estamos contratando, buscando pessoas.