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5 perguntas para o CEO: Paulo de Godoy, da Pure Storage

Em entrevista, country manager da empresa no Brasil fala sobre os desafios e tendências do mercado de armazenamento

Luiz Mazetto

06/08/2019 às 16h30

Foto: Divulgação

Com ampla experiência no mercado de tecnologia, o executivo Paulo de Godoy passou por diferentes companhias do setor, como IBM, Hitachi e NetApp, antes de chegar à Pure Storage, onde está desde 2014 e em que atua como country manager para o Brasil desde o final de 2016.

Na entrevista abaixo, Paulo fala sobre como é comandar a operação brasileira da plataforma de armazenamento de dados em flash, as principais novas tecnologias e tendências do mercado, além de analisar o momento da Pure no Brasil e as expectativas para o segundo semestre.

Computerworld Brasil: Paulo, você está na Pure Storage desde 2014, tendo atuado por mais de dois anos como executivo de vendas antes de assumir o comando da operação da empresa no Brasil, no fim de 2016, certo? E, antes disso, você já tinha passado por companhias como IBM, Hitachi e NetApp. Por isso, gostaria de saber como a sua experiência anterior no mercado e na própria companhia o auxiliam a comandar a Pure no Brasil.

Paulo de Godoy: A minha história aqui foi sendo construída. Sou engenheiro eletrônico de formação - isso na época em que falar de eletrônica era algo bem antigo. Peguei bem essa formação tecnológica do segmento. Depois da faculdade, tive experiencias em algumas empresas de TI. Mas teve um acontecimento na minha carreira, que foi trabalhar na fábrica de engrenagens da minha família, onde fiquei por 10 anos. E nesse período tive um amadurecimento profissional muito grande, em termos de prioridades e de ver como as coisas funcionam.

No ano de 2000 voltei para o mercado de TI. Comecei então um processo de aprendizado, mas já pensando na parte comercial. Passei por alguns integradores, que me ajudaram a ter uma visão mais ampla. Todas essas passagens em diferentes empresas me deram muita vivência e experiência para o mercado de armazenamento de dados, com cada uma delas possuindo as suas próprias características. Tudo isso me ajudou a entender e pensar como seria a evolução de uma empresa como a Pure, que começou como startup e passou por todos os ciclos. E ainda com toda com uma tecnologia nova. Foi toda essa construção, tanto de entendimento da tecnologia em si, como também toda a evolução do mercado brasileiro neste período. Que é um mercado diferente do resto do mundo. Com isso, temos de fazer algumas tropicalizações. Temos de explicar aos gestores internacionais sobre a linguagem para o Brasil. E toda essa experiência me ajudou muito nisso.

Já estamos aqui no Brasil há 4 anos e meio. Esse processo de passar da área de vendas para country manager não mudou muita coisa para mim, no sentido que a empresa é muito organizada para vendas. De forma que toda a parte administrativa conta com braços internacionais, mas o foco da atuação é sempre muito voltado para vendas.

CW: Como vê o uso de novas tecnologias, como Inteligência Artificial, na gestão do volume cada vez maior de dados? Qual a principal aposta da Pure neste sentido?
Paulo: Existe hoje ainda uma diferença da adoção dessas tecnologias para transformação digital dos EUA em relação ao resto do mundo, em particular para o Brasil. A gente ainda está vindo aqui de um período de crise, vamos dizer, que represou muito dos investimentos das empresas brasileiras nessas novas tecnologias. A tônica dos últimos anos foi mais de manter os parques operando e eventualmente melhorando algumas cosias de infraestrutura, principalmente performance e eficiência operacional.

O mundo de armazenamento em flash trouxe uma série de benefícios, no sentido de redução de custo e aumento de produtividade, por ocupar menos espaço e usar menos energia, que foi mais o foco do Brasil nos últimos nos anos. No resto do mundo, e nos EUA, já estamos vendo a geração de inovações e novos negócios, uma transição que está começando agora por aqui. É muito importante para a Pure e outras empresas do segmento a adoção da tecnologia flash, porque é ela que vai viabilizar. Sem ela, é praticamente impossível atender às necessidades de desempenho e velocidade que essas novas tecnologias vão trazer.

CW: Ainda sobre tendências, uma das mais comentadas nesta parte de nuvem recentemente são as chamadas soluções multicloud, que podem flexibilizar a movimentação de dados entre nuvem pública e o armazenamento local. Como você enxerga esse movimento?
Paulo: Estamos investindo bastante nisso. Tem um slogan que a gente faz no mercado, que é "O futuro não vai ser 'ou', mas 'e'". As soluções vão navegar on-premises e na cloud. Isso já esta acontecendo de alguma forma hoje. Os grandes fabricantes de aplicativos horizontais já oferecem aplicações na nuvem. Em vez de precisar adquirir a infraestrutura e a aplicação, você contrata isso como um serviço (as a service)

Além dessas aplicações individualmente, você também precisa fazer o cruzamento de informações para gerar essas atividades que estamos chamando de transformação digital. Você vai ter que juntar os dados em um grande caldeirão de dados para gerar analises e informações de negócios. E isso vai ter que ser feito num repositório, que pode estar na cloud, mas dentro do ambiente do cliente. A cloud passa a ser uma mídia dentro da sua arquitetura, dentro da qual você vai transitar os dados.

Esse processos multicloud já esta acontecendo e vai exigir uma mudança na infraestrutura para se adaptar a isso. Entendemos que hoje já estamos preparados para isso, nessa parte de armazenamento de dados. Já temos a fluência entre as diversas nuvens, inclusive com a segurança das informações.

CW: Falando nisso, recentemente a Pure anunciou uma oferta em conjunto com a AWS, com um modelo híbrido. Como foi a recepção no mercado? E há planos para fazer parcerias semelhantes com outras plataformas de nuvem pública, como Microsoft Azure e Google Cloud?
Paulo: A receptividade foi muito boa. O mercado vai ter realmente que mudar a arquitetura, uma mudança de estratégia na forma como você vai lidar com a sua estrutura. Temos um roadmap para expandir para outras plataformas, talvez a partir do próximo semestre.

CW: Por fim, entramos há pouco na segunda metade do ano. Por isso, queria saber como foi o primeiro semestre para a empresa no Brasil e quais as expectativas para essa segunda metade, pensando que a economia do país ainda patina e não tem previsões muito animadoras para este ano?
Paulo: A Pure tem tido resultados muito bons no mercado, com um crescimento global de 33% em 2018, anunciado no começo do ano – enquanto os outros tem torcido para se manter positivos. E isso se reflete no mundo inteiro. Nosso cenário parece promissor. É até um chavão falar isso nos últimos anos por aqui, mas tem alguns sinais de que isso está acontecendo. Além disso, tenho ocupado um market share que antes não era meu. Estou positivo em relação ao crescimento que vamos ter, tanto de demanda de novas tecnologias quanto de crescimento de PIB e integração com a nuvem.