Home  >  Negócios

França anuncia imposto sobre gigantes de TI e cria polêmica com EUA

Medida do governo francês, que prevê cobrança de taxa de 3% sobre vendas realizadas no país, irritou os Estados Unidos

Da Redação

15/07/2019 às 15h59

Foto: Shutterstock

O governo da França anunciou recentemente a aprovação de uma nova taxa sobre serviços digitais. As informações são da BBC News. O tributo será aplicado retroativamente a partir do início de 2019, devendo levantar cerca de 450 milhões de dólares neste ano.

De acordo com a rede britânica de notícias, a iniciativa afetará, sobretudo, as gigantes norte-americanas, como Facebook, Google, Apple e Amazon. Em resposta ao decreto, as autoridades dos EUA demonstraram interesse em iniciar uma investigação sobre a nova legislação.

Argumentando que as grandes empresas sediadas fora do país pagam pouco ou nenhum imposto, o governo francês decidiu cobrar taxas de 3% sobre as vendas realizadas em seu território. Desta forma, qualquer multinacional de serviços digitais com receita de mais de 850 milhões de dólares - dos quais pelos menos US$ 28 milhões são gerados na França - estará sujeita à cobrança.

EUA se opõem

Vale notar que o governo norte-americano já demonstrou oposição à nova lei do governo francês, alegando que o imposto é injusto. Preocupados com as consequências da medida, os Estados Unidos denunciaram o movimento e decidiram abrir uma investigação. Como resposta, é possível que o inquérito abra caminho para retaliações, como tarifas punitivas, que o presidente Donald Trump já impôs em diversas ocasiões desde que assumiu o cargo.

Diante da nova lei, os grupos empresariais norte-americanos também manifestaram repúdio. Em publicação da Câmara de Comércio dos EUA, os porta-vozes sustentaram que a taxa “vai prejudicar as atividades empresariais e negócios norte-americanos, bem como os respectivos trabalhadores“.

Defendendo o novo imposto, o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, declarou que a França é "soberana e decide suas próprias regras tributárias". "Quero dizer aos nossos amigos americanos que isso deveria ser um incentivo para que acelerem ainda mais o nosso trabalho para encontrar um acordo sobre a tributação internacional dos serviços digitais", acrescentou.