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5 Perguntas para o CEO: Leonardo Rebitte, da Mutual

Em entrevista, executivo fala sobre os desafios para a criação e atuação da fintech, focada em empréstimos P2P

Luiz Mazetto

04/07/2019 às 12h00

Foto: Divulgação

Em 2015, após ter um empréstimo negado por um grande banco do qual era cliente, o empreendedor Leonardo Rebitte teve a ideia de criar uma startup com foco em permitir empréstimos entre pessoas físicas (P2P), a Mutual, em que também atua como CEO.

Na entrevista abaixo, o executivo fala sobre os principais desafios para a criação e desenvolvimento da fintech, que está no mercado desde 2016, a importância da tecnologia para a atuação da empresa e as expectativas para o segundo semestre.

Computerworld Brasil: A forma de atuação da Mutual, com empréstimo P2P, é algo que certamente chama a atenção. Por isso, gostaria de saber como surgiu a ideia para a criação da empresa e como é o funcionamento, de forma resumida, para os dois lados.

Leonardo: A ideia da Mutual surgiu quando eu precisei de R$10.000,00 (dez mil reais) emprestado para fazer o parto da minha filha e o meu banco não aprovou o pedido, e nem disse o motivo de ter negado. Para mim, foi uma surpresa, afinal eu era cliente já há alguns anos e estava com o nome limpo, empregado e com uma boa renda. Sem saída, voltei para o trabalho e pedi este mesmo empréstimo para alguns amigos no escritório e rapidamente fui atendido. No dia seguinte eu já estava com o dinheiro e percebi o poder que existia ali em pessoas emprestando dinheiro para outras pessoas. Quantas outras não estariam naquela mesma situação? Então, resolvi estudar para saber como permitir às pessoas emprestarem dinheiro a outras dentro da Lei. Não foi nada fácil, pensei em desistir dezenas de vezes, mas entendi que não havia um plano B, apenas o plano A, que era ajudar as pessoas que estavam na mesma situação pela qual eu passei. Anos depois, estamos aqui, a Mutual é líder no mercado de empréstimos entre pessoas físicas e, de fato, estamos ajudando a resolver problema para algumas pessoas que por alguma necessidade buscam crédito.

CW: Ainda sobre isso. Qual o principal desafio para uma empresa como a Mutual? E como tem sido a aceitação entre as pessoas quando ouvem sobre a proposta da companhia?

Leonardo: O maior desafio foi obter o conhecimento necessário para atuar em um mercado que por quase 100 anos era dominado apenas pelos Bancos. Outro desafio foi arrecadar dinheiro suficiente para construir toda a estrutura exigida pelo Banco Central para estruturar uma operação como a nossa.

A difusão cada vez maior no mercado sobre as facilidades que as fintechs proporcionam foi essencial a Mutual, uma vez que nós desafiamos um segmento que poucos conseguiram e tiveram coragem de fazê-lo pelo alto grau de desafio e risco: emprestar dinheiro para pessoas físicas. Hoje, talvez, 99% das fintechs no Brasil tem foco em B2B ou seja, o tomador é sempre um pequeno ou médio empresário. Nós estamos entre esse 1% do total dos players de crédito colaborativo, focados em oferecer crédito para pessoas sem um CNPJ. Operando desde fevereiro de 2018, já emprestamos R$ 6 milhões em nossa plataforma, que tem 200 mil usuários cadastrados entre tomadores e investidores.

CW:Qual o papel e o principal diferencial da tecnologia na atuação da Mutual atualmente? Como ela ajuda a empresa a atuar da forma como atua?

Leonardo: A Mutual permite que o tomador tenha uma taxa de juros justa ao solicitar um empréstimo e para quem empresta, o investidor pode receber ganhos duas a três vezes acima do que receberia se estivesse investindo em um CDB ou em Renda Fixa no Banco. Logo, entendemos que a Mutual resolve dois problemas: o empréstimo que o tomador não consegue com o banco dele e, rendimentos maiores.

A nossa tecnologia é toda desenvolvida internamente. Além do aplicativo, usamos tecnologia, principalmente, para a análise de crédito. Acabamos de desenvolver melhorias na plataforma para tornar a experiência do tomador de crédito ainda mais conveniente. Hoje, todo o processo de originação e registro do CCB (Cédula de Crédito Bancário) é realizado em menos de um minuto, o mais rápido que existe no mercado. Com isso, toda a análise de crédito de quem se cadastra em nossa plataforma como tomador até a liberação para seu pedido de empréstimo ser aprovado e aparecer para os investidores ocorre quase que instantaneamente.

CW: Falando em tecnologia, a Mutual atualmente busca a regulamentação como fintech, conforme aponta o FAQ do site da empresa. O que falta para isso acontecer? E o que a empresa poderá fazer de diferente quando isso acontecer?

Leonardo: Sim, temos interesse em buscarmos a nossa própria licença junto ao Banco Central para deixarmos de sermos correspondentes bancários. Já estamos estudando meios para captarmos capital no mercado ainda neste semestre.

CW: Estamos chegando na metade de 2019, com uma situação ainda bastante complicada do ponto de vista econômico no país. Quais as expectativas e os planos da empresa para o segundo semestre deste ano?

Leonardo: Com o mercado se fechando para o crédito, cada vez mais as pessoas buscam a Mutual por conta da facilidade e praticidade para a obtenção de empréstimos em nossa plataforma digital e por conta, claro, dos juros menores, se comparados com os praticados pelos grandes bancos em empréstimos sem garantia.

Até o final de 2019, nossa meta é atingir a quantia de R$ 100 milhões de empréstimos realizados em nossa plataforma. Para isso, a estratégia é, em breve, oferecer a opção de fatiamento dos empréstimos, em que os investidores poderão adquirir cotas das quantias solicitadas por mais de um tomador – e não somente o valor cheio de um tomador de empréstimo. Será como criar uma carteira diversificada e isso vai ajudar a diminuir o risco para o investidor.