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A era ‘iApple’ chegou ao fim

A saída do chefe de design Jony Ive após cerca de 30 anos reforça um novo momento da empresa de Cupertino

Jonny Evans, Computerworld/EUA

03/07/2019 às 10h00

Foto: Shutterstock

A Apple nasceu em um momento em que o individualismo estava em alta. Não é à toa que os produtos criados trouxeram o "I" (eu, em inglês) em seus nomes: iMac, iPhone, iPod. Com ideias inovadoras e a necessidade de construir uma liderança, a empresa desenvolveu dispositivos que refletiam os valores liberais sociais, que colocavam a liberdade do indivíduo em primeiro lugar.

Nesse contexto, fazia sentido que uma empresa buscasse refletir o espírito da época, mas os tempos mudaram. A conectividade está impulsionando iniciativas colaborativas, com indústrias evoluindo e novos modelos de negócios surgindo. Para o bem e para o mal, praticamente todos os setores estão passando por intensas modificações para se adequar à "era conectada".

Hoje, sob a superfície há um movimento que favorece a responsabilidade coletiva, e a popularização da Apple no imaginário das pessoas tem tudo a ver com isso. O ressurgimento da compabhia foi liderado por Steve Jobs, um sujeito benevolente que a mídia gostou de mostrar pelos seus traços hippies e pelo seu enorme sucesso em transformar a Apple.

O departamento de relações públicas da empresa alimentou a história, colocando Jony Ive como o rosto criativo por trás da marca. Assim, uma companhia de milhares acabou por se tornar a história de apenas dois homens.

Transformações

Assim como os tempos mudaram, a Apple mudou. Hoje, a companhia preza por valores compartilhados, responsabilidade corporativa e engajamento no trabalho. Buscando fazer a diferença, a gigante da tecnologia investe na sua transformação em torno desses valores.

A maioria dos consumidores modernos buscam valores compartilhados, apreciam a conexão humana e desejam fazer a coisa certa para o mundo. As pessoas estão realmente conectadas - e têm valores.

São esses os ideais que a Apple está construindo, coletivamente e de forma responsável. Ao contrário do anterior individualismo, a gigante de Cupertino têm buscado refletir uma forma de supra-individualismo, onde grupos de pessoas altamente independentes encontram maneiras construtivas de trabalhar juntos para o bem coletivo.

O movimento da Apple para refletir esses valores significa que ela não é mais focada no indivíduo, representando os esforços e aspirações compartilhadas de todas as pessoas. Dessa forma, não há "eu" na equipe.

Olhando por esse contexto, a recém-anunciada saída de Jony Ive da companhia depois de 30 anos parece algo inevitável, simples e intuitiva. A sua visão para a definição da palavra "I" (eu), naturalmente estabeleceu as bases para os produtos que refletem uma visão de mundo global baseada em "todos". A idade da iApple acabou. Estamos entrando na era da Apple +.