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Ex-ministros de Ciência e Tecnologia lançam manifesto contra governo

Em documento, 10 ex-ministros criticam decisões do governo Bolsonaro de congelar recursos de universidades e bolsas de cientistas brasileiros

Da Redação

02/07/2019 às 8h00

Foto: Shutterstock

O Instituto de Engenharia (Coppe) da Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ) recebeu nesta segunda-feira (1º) um manifesto assinado por dez ex-ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação contra as medidas do governo de Jair Bolsonaro no que tange o desenvolvimento da ciência no País.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o manifesto intitulado "A ciência brasileira em estado de alerta" começa com uma análise do atual cenário científico brasileiro. "Agravam-se os cortes orçamentários drásticos que poderão levar a um retrocesso sem paralelo na história da ciência brasileira, área essencial e crítica, tanto ao desenvolvimento econômico e social quanto à soberania nacional", diz o texto.

Esta é a quarta vez que titulares de ministérios de governos anteriores se unem para protestar contra medidas do governo Bolsonaro. Os ministérios do Meio Ambiente, da Educação e da Justiça foram os primeiros a se manifestar.

O documento entregue nesta segunda foi assinado por Aloízio Mercadante, Marco Antonio Raupp, Clélio Campolina, Celso Pansera, Roberto Amaral, Sérgio Machado Rezende, José Goldemberg, Aldo Rebelo, Luiz Carlos Bresser-Pereira e Ronaldo Sardenberg.

De acordo com o grupo, 95% da produção científica brasileira é de responsabilidade das universidades federais. Neste ano, o orçamento para o ministério da Ciência deve sofrer um contingenciamento de 42%, o que equivaleria a R$ 2,1 bilhões. Segundo levantamento da Folha, 6.198 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado também foram congeladas.

"Não podemos concordar com as recorrentes manifestações, por parte das autoridades do governo, que negam evidências científicas na definição de políticas públicas... Não se pode permitir a criação de condições que estimulem a evasão de nossos melhores cérebro nem a ausência de representantes da comunidade científica em comitês e conselhos governamentais", conclui o manifesto.