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Funcionários precisam pagar US$100 para usar sala de reuniões no Japão

Com a iniciativa, a fabricante japonesa Disco Corporation conseguiu reduzir o número e o tempo gasto em reuniões desnecessárias

Da Redação

28/06/2019 às 13h00

Foto: Shutterstock

A Disco Corporation, fabricante japonesa de ferramentas de precisão, chamou a atenção mundial com seu modelo de gestão. De acordo com informações da Bloomberg, desde 2011 a companhia vem experimentando uma abordagem diferente, que envolve um sistema de cobrança e recompensa para os colaboradores.

Na companhia, os 5 mil funcionários participam de um experimento curioso de administração de negócios. Lá, tudo tem um preço: mesas de escritório, computadores e até mesmo locais para deixar o guarda-chuva. Para utilizar uma sala de reunião, os trabalhadores devem desembolsar 100 dólares por hora - o que tem feito a empresa conseguir reduzir o número e o tempo gasto em reuniões desnecessárias.

Além dos pagamentos para usufruir dos equipamentos, no sistema criado pela Disco os colaboradores têm liberdade para gerenciar seu próprio trabalho. Divididos em equipes, os trabalhadores pagam uns aos outros para concluir tarefas: Equipes de venda pagam operários da fábrica para a produção de mercadorias, que por sua vez pagam engenheiros para o desenvolvimento de produtos. A cada venda feita, é gerada uma quantidade de moeda virtual, batizada como Will, que é distribuída para todos.

Cada colaborador tem um salário base, que é melhorado com a conclusão de atividades. Os ganhos de moeda virtual começam no nível da equipe, onde os líderes utilizam parte do orçamento de Will do grupo para cada tarefa que precisa ser concluída. Os membros do time utilizam um aplicativo para dar lances em um leilão para a realização dos trabalhos.

No final de cada trimestre, os saldos são pagos depois da conversão de Will para ienes. Segundo a companhia, os bônus trimestrais podem ser equiparados ao salário de um ano para os colaboradores que têm melhor desempenho. "Nós criamos uma zona econômica livre, assim como o que existe fora da empresa”, diz Toshio Naito, que projetou o programa e continuou a trabalhar nele desde a sua implementação em 2011. “O trabalho deve ser feito com liberdade, não sob ordens."

Até o momento, o modelo de gestão tem sido bastante positivo. A margem operacional da Disco cresceu de 16% para 26% desde que o experimento foi implementado. O preço de suas ações quase quadruplicou nos últimos oito anos, dando à empresa um valor de mercado de US$ 5 bilhões. Graças aos bônus, o salário dos colaboradores é mais que o dobro da média japonesa, e em 2017 a companhia ganhou um prêmio do governo por criar um local de trabalho ideal.

Mesmo com o sucesso comprovado, nenhuma outra empresa adotou a ideia até o momento. Muitos profissionais não se adaptam ao modelo, principalmente pela pressão de criar bônus para aumentar seus salários. Além disso, grandes valores não são garantidos, o que significa suportar um ambiente de trabalho de alta pressão sem benefícios certos.

Por outro lado, as pessoas que se adaptam defendem a liberdade de moldar seu dia de trabalho e poder colocar valor em suas próprias atividades. Para eles, apesar de intensa, a abordagem se torna prazerosa por ser um ambiente de cooperação entre as pessoas.